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07/02/2014

Existe vida após a faculdade...

Olá pessoal...
Depois de mais de um ano e meio sem escrever e dar sinal de vida aqui no blog, ressurgi das cinzas e voltei rsrs... Nesse tempo aconteceram muitas coisas importantes na minha vida que me tomaram um tempo precioso de escrever e comentar sobre a arquitetura e o design de interiores. Acho que citei aqui que tive uma filha e que a minha vida havia mudado radicalmente.
Além disso, me formei, finalmente, em Arquitetura e Urbanismo, e foi um sonho realizado. Na faculdade, para se formar, é obrigatório realizar um projeto de arquitetura e urbanismo, que você pode escolher local e tema, para desenvolver ao longo do último ano. E o meu trabalho me deu muito orgulho, pois tirei a nota máxima e ele ainda foi um dos indicados para ir para o concurso Ópera Prima (link aqui) e poderá representar a faculdade entre outros trabalhos do Brasil inteiro.
Bom, tenho muitas coisas legais para postar aqui, mas decidi que, para começar o ano com o pé direito, vou postar justamente o meu trabalho de conclusão da faculdade.

Antiga fábrica da Cervejaria Antárctica Paulista

O projeto desenvolvido é sobre o restauro da antiga fábrica da Antárctica, localizada no bairro da Moóca, e a requalificação do entorno imediato da fábrica, que propõe a implantação de um centro de cultura e lazer para a região.

É um projeto conceitual, mas que foi desenvolvido como se fosse real, considerando todas as legislações de prefeitura, normas técnicas, normas de segurança e de acessibilidade. Aborda projetualmente algumas questões importantes e que precisam ser trabalhadas na cidade de São Paulo: o replanejamento urbano, o tratamento digno às antigas edificações que fazem parte da história paulistana e o oferecimento à população de equipamentos urbanos públicos ou semi-públicos de qualidade, que possam melhorar a qualidade de vida e melhorar áreas abandonadas ou com grandes interferências, como a estrada de ferro, da cidade.
A proposta de criar um complexo de cultura e lazer no bairro da Móoca foi motivada pelo fato dessa região estar em um processo de revitalização, deixando de ser essencialmente industrial e passando a ser um bairro de uso misto. Além disso, existem exemplares arquitetônicos de grande valor histórico da região, então a proposta também integra o restauro da antiga fábrica da Cia. Antarctica Paulista com as suas edificações imponentes e que pertencem à população do bairro.
O terreno onde está localizado o projeto foi dividido em três setores principais e ofereceria à população áreas de esportes, cultura, educação, lazer, entretenimento e serviços. Além disso, a proposta excluiu todas as possibilidades de acesso de automóveis, estimulando assim o uso de transportes públicos ou de bicicletas.

O projeto do Complexo de Cultura e Lazer da Móoca é mais do que um projeto de urbanismo, restauro e revitalização, é um projeto modelo de melhoria da qualidade de vida da população, de preservação da memória da cidade de São Paulo e de transposição de barreiras físicas e culturais.



22/03/2012

Estado agora vai 'tombar' bem imaterial

A viola tropeira, o virado à paulista, a ciranda, o sotaque da Mooca, a pizza de domingo. Essas e outras tradições tão tipicamente paulistas podem ser preservadas agora pelo governo estadual, por meio do Programa do Patrimônio Imaterial. A ideia é registrar pela primeira vez danças, músicas, pratos, costumes, rituais, livros, brincadeiras, lugares ou outros tipos de manifestações artísticas que estejam intimamente ligados à história e à memória de São Paulo.


O primeiro bem imaterial a ser "tombado" deverá ser a congada, dança surgida com a vinda de povos africanos de origem Banto, das regiões do Congo, Moçambique e Angola.
 "Será feito o registro com todos os detalhes de cada manifestação. Assim, quando forem repetir, haverá uma espécie de receita para que aquela manifestação possa ser repetida de forma correta", explica o secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo.
De acordo com a nova legislação, publicada ontem no Diário Oficial do Estado, qualquer pessoa pode agora pedir o registro de um bem imaterial. A deliberação ficará por conta do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat), órgão estadual ligado à Secretaria de Cultura, responsável pelos tombamentos de imóveis históricos. Poderá ser feito o registro "universal", quando a manifestação ocorre em vários pontos no Estado, ou o registro "específico", quando tal prática é encontrada apenas em uma região de São Paulo.


O conceito de patrimônio imaterial existe desde 1930. Os primeiros estudos sobre o tema foram do escritor Mario de Andrade, que realizou várias pesquisas folclóricas, coletando objetos, músicas e outras expressões da cultura nacional. Um decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ampara esse tipo de registro no País desde 2000 - há 23 bens imateriais registrados até hoje pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas nenhum especificamente em São Paulo. Tanto a legislação estadual quanto a municipal ainda não tinham um programa para viabilizar o registro histórico dessas práticas culturais.


Reportagem de: RODRIGO BRANCATELLI
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,estado-agora-vai-tombar-bem-imaterial-,787358,0.htm
Fotos: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/49/Rugendascongada.jpg/400px-Rugendascongada.jpg e https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgN0jafsVAxZbqpvtG0QnbdNdgnp51bZClSenoo63uRASFmgFnly_swp2Ki4uCKCnvFPF2x62cr0IrJ-uWDK72P5XQkuL34n67Swed7ZSQpMbVrTljmJsgZKu5cICBgL6egVI1bSM3PwM6x/s1600/congada.jpg

15/03/2012

Prédio do Banespa reabre para visitas depois de reforma

Com vista panorâmica, edifício no centro de São Paulo volta a receber turistas nesta quarta após 1 mês fechado. Elevadores passaram por manutenção; como o Martinelli, espaço não cobra visita ao seu mirante, a mais de 100 m.


O edifício Altino Arantes, mais conhecido como prédio do Banespa, no centro de São Paulo, é um dos únicos de onde se tem uma vista panorâmica da cidade.


De cima dos seus 35 andares, o visitante vê a multidão de prédios paulistanos e, lá embaixo, o caos da cidade aparece pequenininho.


No horizonte, pico do Jaraguá, na zona norte, e a serra do Mar completam a cena.


Esta vista privilegiada estará de novo disponível para o público. Depois de uma reforma de pouco mais de um mês, o Altino Arantes reabriu na quarta-feira (14).


O prédio fechou para turistas sem alarde no dia 6 de fevereiro, para manutenção dos elevadores. Neste período, quem tentou ver São Paulo de cima por ali deu com o nariz na porta.
O comerciário Luciano Caturelli, 39, veio de Ribeirão Preto (SP), na última quarta, e quis aproveitar para visitar o prédio. Ficou para fora.


"Fiquei surpreso. Não havia nenhuma placa ou informação. Como é um dos cartões-postais mais famosos de São Paulo precisava ser tratado com mais carinho e respeito." Uma alternativa para os desavisados é usar o mirante do edifício Martinelli, que fica ao lado.


O Santander, que administra o edifício, diz que a informação do fechamento não foi divulgada pois a reforma levaria pouco tempo.


O banco informa que nada muda com a reabertura: a visita continua gratuita e acontece de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h.


TOMBADO


Junto com o Martinelli, o Altino Arantes é o único mirante gratuito de São Paulo. Mas a importância do edifício vai além da vista.


Inaugurado em 1947, e inspirado no Empire State, em Nova York, o edifício foi símbolo do crescimento de São Paulo na época -foi o prédio mais alto da cidade e chegou a ser considerado a maior construção de concreto do mundo. Sede do Banespa, foi privatizado em 2000, após a venda do banco.


Mesmo perdendo o posto de mais alto de São Paulo, o Altino Arantes é um colosso. São 161,22 metros, 900 degraus e 1.190 janelas.


Em junho de 2011, foi tombado pelo patrimônio histórico. Com a resolução, ele deve ter a fachada, o terraço e cinco pisos preservados. Também foram tombados os móveis que contam a história do Banespa, como uma enorme mesa usada nas reuniões da presidência do banco.


Fonte do texto e da foto: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1060206-predio-do-banespa-em-sp-reabre-para-visita-depois-de-reforma.shtml
Reportagem de MARIANA DESIDÉRIO DE SÃO PAULO

02/02/2012

Casarão da célebre Marquesa de Santos é restaurado

Não satisfeita com os sete anos em que viveu o papel de amante de dom Pedro I no Rio de Janeiro, Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos, mudou-se para São Paulo em 1829, quando seu caso com o imperador chegou ao fim, e seguiu no altíssimo nível de relacionamentos: casou-se com Rafael Tobias de Aguiar, bom partido que era nada menos que uma espécie de governador do estado na época. Coincidência ou não, ela decidiu morar bem ao lado do trabalho do novo amor, que despachava no palácio oficial erguido onde hoje está o Pátio do Colégio. Comprou então um imóvel na Rua do Carmo, hoje chamada Roberto Simonsen. O Palacete do Carmo, ou Solar da Marquesa de Santos, fervia. Era palco de tradicionais eventos sociais e animadas festas. Também se realizavam ali reuniões beneficentes, já que Domitila tinha uma associação de apoio a prostitutas e mães solteiras, e saraus literários que contaram com a participação de poetas como Castro Alves.

Após sua morte, em 1867, o endereço acabou descaracterizado. Em 1909, o imóvel foi adquirido pela The São Paulo Gaz Company, que demoliu paredes, janelas e portas, além de alterar o desenho do telhado. O tombamento veio somente em 1971, quando não restavam mais vestígios de parte da arquitetura original.

De lá para cá, inúmeros projetos de restauro foram prometidos pelo poder público. Na prática, o edifício ficou esquecido e se deteriorou. “As calhas do telhado já se haviam oxidado, e isso ocasionara vazamentos e infiltrações que comprometiam algumas paredes feitas de taipa”, explica Regina Ponte, diretora do Museu da Cidade, que funciona em determinadas salas do imóvel desde 1993. Esse quadro decadente começou a ser revertido nos últimos três anos, com um projeto de obras financiado por um empréstimo de 3,5 milhões de reais do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O prédio reformado será aberto para visitação pública no próximo sábado (19).

A mostra foi dividida em três partes, espalhadas por treze cômodos: uma sobre a Rua do Carmo e os entornos, outra a respeito da vida da antiga proprietária e, como não poderia deixar de ser, um espaço para lembrar a tórrida história de amor entre ela e dom Pedro I, por meio de cartas enviadas pelo imperador, que as assinava como “Demonão” e chamava a amante de “Titília”.


UM MUSEU DE FOTOS

Bem ao lado do Solar da Marquesa, o paulistano poderá conferir outra novidade que está saindo do forno da Secretaria Municipal de Cultura. Na chamada Casa Nº 1, também reformada recentemente, funcionará a Casa da Imagem, espaço que sediará exposições de artistas e fotógrafos que usam São Paulo como matéria-prima para seus registros. “Serão três salas em que vamos exibir o que há de melhor no acervo iconográfico da cidade”, explica Henrique Siqueira, gestor do museu. A inauguração será feita com uma mostra sobre Guilherme Gaensly (1843-1928), um dos mais respeitados fotógrafos de seu tempo. Ele registrou com maestria um centro ainda movido a charretes e bondes. Na abertura, será feito também o lançamento de um livro sobre o autor, montado pela editora Cosac Naify.

OBS: vale a pena uma visita, a entrada nos locais é gratuita.
Reportagem original:
http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2243/casarao-da-celebre-marquesa-de-santos-restaurado

26/01/2012

Casas em processo de Tombamento vão ao chão

VANESSA CORREA DE SÃO PAULO
 
Apesar de protegido por processo de tombamento, um conjunto de quatro sobrados dos anos 1940 veio ao chão na quinta passada em Perdizes, zona oeste paulistana.

As casas faziam parte de um estudo do Conpresp (órgão do patrimônio histórico municipal), aberto em setembro. No processo, 63 imóveis do bairro seriam avaliados e poderiam ser tombados.


Os sobrados demolidos na rua Monte Alegre com a Turiassu estavam no processo "por se tratar de um tipo de ocupação que predominou no período entre 1940 e 1950, antes da verticalização da região", segundo o Conpresp.
O dono, Carlos Manoel dos Santos Eloy Rodrigues Pereira, 58, afirma que não havia sido comunicado sobre a abertura de tombamento e que tinha o alvará de demolição. "Então, eu quero que vão para o raio que os parta".
Ele diz que o conjunto foi construído pelo seu avô para obter renda com o aluguel, "como fazia todo português". Afirma que vai construir um prédio, também para locação.
O Conpresp diz que, como não havia autorizado a demolição, ela é irregular, e, "constatados os danos", o proprietário pode ser multado.
A multa pode chegar a até dez vezes o valor do imóvel. O Conpresp pode ainda pedir o embargo de obras no local.
O poder do órgão, porém, é limitado. Muitos proprietários recorrem, alegando não ter sido informados sobre o tombamento ou questionando os valores das multas.
Grande parte delas não são pagas -os multados ameaçam ir à Justiça devido à fragilidade das autuações.

Os conselheiros do Conpresp, que devem votar pela aplicação, temem responsabilidade judicial, segundo apurou a Folha.
O orçamento para 2011 vindo do fundo de multas é de R$ 800 mil. Mas o valor de autuações é bem maior: só o dono de um imóvel, no Brás, foi multado em mais de R$ 20 milhões.
O processo de aplicação foi revisado e será enviado "em breve" à Câmara, diz o órgão.
Destruição do patrimônio é ainda crime com pena de até três anos de reclusão, segundo a Lei de Crimes Ambientais.
Outro caso, bastante conhecido, foi o da mansão Mataraz-zo, na av. Paulista, tombada em 1989. Tempos depois, bombas explodiram no subsolo e suas estruturas foram comprometidas por vazamentos.
Os donos conseguiram, então, reverter na Justiça o tombamento e demoliram o imóvel.

Dúvidas sobre tombamento
1 - Imóveis tombados podem ser modificados?
Sim, mas só com autorização do órgão de patrimônio competente, como o Conpresp. Mudanças não autorizadas estão sujeitas a punição
2 - Qual é a punição para quem demole um imóvel tombado ou em processo de tombamento?
Embargo de qualquer obra no terreno e multa, que pode chegar a dez vezes o valor do imóvel. A destruição de patrimônio histórico também é crime, com pena de até três anos de reclusão


Análise

Desrespeito é duplo, porque inclui a lei e também a vontade dos moradores
NADIA SOMEKH ESPECIAL PARA A FOLHA

Nos anos 70, com o boom imobiliário advindo do BNH, que financiava as duas pontas da indústria da construção civil (a produção e a venda dos apartamentos), assistimos como corolário a destruição maciça do nosso patrimônio histórico edificado.
A criação do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico), na mesma época, e do Conpresp, em 1985, possibilitou uma reação positiva ao furor de demolição.
A criação das Z8-200, modalidade do zoneamento/tombamento, em 1975, permitiu um começo de proteção à nossa memória, mas carecemos ainda de política efetiva de preservação dos bens culturais, não só com instrumentos mais eficazes e incentivadores, prevendo penalidades adequadas, mas também com uma conscientização mais ampla da sociedade e dos empreendedores imobiliários.
Não podemos congelar a cidade, e valorizar o contemporâneo significa modernizar, dar lugar ao belo, que inclui, essencialmente, nossa memória.
É com tristeza que assistimos a destruição de um conjunto de casas da década de 1940, em processo de tombamento a pedido da própria população de Perdizes.
Isso significa um duplo desrespeito: com o conselho e com a lei, que prevê punição de crime, e com a população, que tenta defender sua história.
Ficamos mais pobres culturalmente quando perdemos nossa história. Essa frase vem se repetindo recorrentemente nas cidades e, principalmente, em São Paulo. "Da força da grana que ergue e destrói coisas belas", como canta Caetano em "Sampa".

NADIA SOMEKH é professora da FAU Mackenzie e conselheira do Conpresp

Reportagem original da Folha de São Paulo:
https://acesso.uol.com.br/login.html?dest=CONTENT&url=http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/14615-casas-em-processo-de-tombamento-vao-ao-chao.shtml&COD_PRODUTO=7

19/01/2012

Região da Nova Luz

Durante o ano passado, fiz alguns trabalhos para a faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Um deles foi o levantamento da região da Nova Luz, que já está em andamento, sofrendo algumas modificações, restaurações, demolições e requalificações.

As fotos do levantamento compreenderam apenas um quarteirão, entre as ruas do Triunfo, dos Gusmões, dos Andradas e Gal. Osório, mas tivemos que verificar toda a região, desde edificações e ruas até o tipo de uso das moradias, frequentadores da região e o transporte público local.

Além de alguns prédios restaurados, tem aqueles que estão bem degradados porém não podem ser demolidos e os que serão destruídos dando lugar para novos.
O resultado está nessas fotos :)

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12/01/2012

Arquitetura para visitar...

Listei logo abaixo alguns locais que são possíveis visitar e saber um pouco mais sobre arquitetura e alguns eventos sobre arquitetura que vão acontecer. Lembrando que todos esses eventos e locais são gratuitos! :)

Roteiro arquitetônico de bicicleta
Em parceria com o Instituto Parada Vital, o MCB realiza, no aniversário da cidade, a 2ª edição dos roteiros de bicicleta por residências de interesse arquitetônico em São Paulo, sob orientação do arquiteto Marcelo Ferraz. Fique atento à programação para maiores informações sobre o percurso e o arquiteto que orientará o passeio.
20 vagas, com bicicletas disponíveis no local de saída. Inscrições: (11) 3032 2499
MCB - Museu da Casa Brasileira
Av. Brig. Faria Lima, 2705 - São Paulo - SP

Casa Modernista
De autoria do arquiteto de origem russa Gregori Warchavchik (1896–1972), projetada em 1927 e construída em 1928, é considerada a primeira obra de arquitetura moderna implantada no Brasil.
Rua Santa Cruz, 325 - Vila Mariana - São Paulo - SP
Aberta de terça a domingo, das 09h às 17h
Tem visita monitorada também
Telefone: 11-5083-3232
http://www.museudacidade.sp.gov.br/casamodernista.php

Casa Modernista - Pacaembú
Em 1930, época em que as ruas do bairro Pacaembu eram feitas de terra e quase desabitadas, a inauguração de uma casa de linhas retas, fachada branca e concreto armado na rua Itápolis atraiu a atenção do público. Projetada pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik também.
Ano passado ela reabriu restaurada com mobília original, fotografias e projetos do arquiteto, vale verificar se ainda é possível visitar.
Rua Itápolis, 961 - Pacaembú - São Paulo - SP
Telefone: 11-3661-5066

Casa Modernista - Rua Bahia
Também projetada em 1930 por Gregory Warchavchik, hoje abriga um escritório de design. Visitas podem ser agendadas.
Rua Bahia, 1126 - Pacaembú - São Paulo - SP
Telefone: 11-3663-4975

Edifício Martinelli
Foi o primeiro arranha-céu da cidade de São Paulo, inaugurado em 1929 e com esse título se manteve até 1947 quando foi inaugurado o edifício Altino Arantes, o Banespa. Ao visitar, é possível ver o hall de entrada original e subir até o terraço no 25º andar e admirar a vista do centro da cidade.
Av. São João, 35 - Centro - São Paulo - SP
Visitas de 2ª, 3ª e 6ª das 09h30 às 11h30 e das 14h30 às 16h30, Sábados até 13h
Telefone: 11-3104-2477

http://www.prediomartinelli.com.br

Edifício Altino Arantes - Banespa
A 161,22 m de altura, a torre do Edifício Altino Arantes, inaugurado em 1947, está aberta para a visitação. É possível ver a serra do Mar, o pico do Jaraguá e pontos turísticos da cidade.
Rua João Brícola, 24 - Centro - São Paulo - SP
Visitas: 2ª a 6ª das 10h às 15h (vale ligar, vira e mexe eles abrem aos sábados)
Telefone: 11-3249-7466

Caminhada Noturna pelo Centro
Saindo da frente do Teatro Municipal todas as quintas, mos­tra marcos tradicionais e pontos menos conhecidos da metrópole.
Pça. Ramos de Azevedo, s/ nº (em frente ao Teatro Municipal) - República - São Paulo - SP
Telefone: 11-3256-7909.

Depois coloco mais alguns lugares gratuitos e legais! Enjoy! :)

05/01/2012

Edifício Rizkallah Jorge

A Cury , em parceria com o escritório Helena Saia, recuperou o Edifício Rizkallah Jorge, antigo ícone de São Paulo, edifício comercial deteriorado na Av. Prestes Maia junto ao Anhangabaú. Com recursos do PAR da CEF, converteu os seus 17 andares com 7472 m2 de construção em 167 apartamentos, tipo estúdio, de área privativa média de 30 m2, com sala/dormitório, cozinha americana com área de serviço integrada e banheiro. Concebido nos anos 40, para ser o Hotel Pingüim da Cia. Antarctica Paulista, foi sede do grupo Votorantim por 20 anos, vendido nos anos 70 para a Beneficência Portuguesa. A deterioração do centro esvaziou o prédio em estilo clássico: pixações, janelas quebradas, ameaça de invasão iminente (estava na lista de um grupo organizado).

O edifício foi comprado pela Cury Empreendimentos em agosto de 2001. A fachada teve todos os elementos originais em bom estado preservados, recuperando-se a cor original, as janelas e portas de ferro e as ferragens antigas em bom estado.

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Para evitar pixações, um tratamento com produto especial impermeável. Os elementos originais do saguão, o piso, as colunas e as paredes em mármore de Carrara foram restaurados. As escadas ganharam iluminação de emergência e portas corta-fogo. As demolições internas fizeram do edicício uma "torre de Babel", com uma divis"o diferente em cada andar.

Retiradas as divisórias, resolveu-se a sobrecarga das novas divisões em alvenaria sobre as lajes com o uso de blocos de concreto celular. A colocação das prumadas de gás, elétrica e hidráulica exigiu equipamentos especiais para a perfuração das grossas lajes. No acabamento interno recuperou-se pisos de taco, soleiras e peitoris em mármore. O desafio era criar ao mesmo tempo apartamentos a baixíssimo custo, R$ 24.700,00, a serem arrendados a R$ 174,00 mensais para famílias com renda de 4 salários mínimos, e reestabelecer o antigo esplendor do prédio com sua fachada tombada pelo patrimônio histórico. A parceria entre a Prefeitura Municipal, o Movimento Moradia no Centro, a Cury e a CEF iniciou-se pela experiência piloto da restauração do Edifício Fernão Sales, na região da 25 de Março.

Fonte: www.cury.net/ParDetalhe.aspx?CodPar=18

05/03/2011

Casarões da Brigadeiro enfrentam decadência

Reportagem da Folha.com para mostrar o mau estado de conservação desses casarões e dizer que não basta tombar, é preciso incentivo para manter uma obra arquitetônica como essas em perfeitas condições.

VANESSA CORREA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Construídos na virada do século passado, muitos dos casarões em estilo eclético da avenida Brigadeiro Luís Antônio, no trecho que corresponde ao bairro da Bela Vista, centro de São Paulo, estão em franca decadência.

A maior parte desses casarões hoje é tombada pelo patrimônio histórico. Mas a medida, que por um lado impediu que fossem demolidos para dar lugar a estacionamentos e prédios ou que fossem descaracterizados, não os protegeu da degradação.

Na famosa avenida, na esquina com a rua Santa Madalena, um casarão que abrigava uma escola de inglês está desocupado há três anos.

Nesse meio tempo, foi invadido, desocupado e seu estado de conservação piorou muito. O forro de gesso da cobertura de suas varandas está se soltando, assim como placas do reboco da fachada.
Embora o imóvel esteja em região comercial e valorizada, e possa ser modificado por dentro se a fachada for mantida, ainda não apareceu empresário interessado em pagar R$ 1,7 milhão para ter seu negócio ali.

Bem em frente, mais um casarão tombado. Fechado e à venda há dois anos, está com janelas e reboco deteriorados. Parte do piso térreo já serviu de garagem para o hotelzinho ao lado, hoje também fechado. Casarão e hotel saem por R$ 2,5 milhões.
O número 1.234, com belos gradis em estilo vitoriano nas varandas, também tombado, está fechado e começa a perder a forma. Comerciantes da região dizem que o local abrigou uma clínica.

BALANÇO

A Folha percorreu a avenida e fez um balanço de como se encontram os casarões da Brigadeiro, entre a rua 13 de Maio e o viaduto Jaceguai.
Dos 18 casarões e sobradões encontrados, 9 têm proteção do patrimônio histórico. Onze abrigam comércio e serviços, mas parte foi descaracterizada. Um sobrado permanece original, com uso residencial. Cinco estão fechados e degradados, dois deles à venda.
Além disso, quatro estacionamentos funcionam onde antes havia casarões. Em alguns, gradis em ferro fundido e colunas com capitéis ainda podem ser vistos como ruínas dos antigos imóveis. Apenas um imóvel está completamente restaurado.
É o chamado Castelinho da Brigadeiro, no número 826.

Projetado em 1909, é um raro exemplo de arquitetura residencial em estilo art nouveau na cidade. Permaneceu com placa de aluga-se por cerca de seis anos. Hoje funciona como espaço para eventos.

Entorno também se degrada, diz professora da FAU-USP

Imóveis são de época de menor diferença social
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A Bela Vista, onde está a avenida Brigadeiro Luís Antônio, é representativa de uma época em que brasileiros e imigrantes de classes sociais distintas conviviam em um mesmo espaço, e a cisão entre rico e pobre era menor, diz Ana Lúcia Duarte Lanna, historiadora e professora da FAU-USP. Leia trechos da entrevista. (VC)

Folha - Qual é a relação dos casarões da Brigadeiro com a história da cidade?
Ana Lúcia Duarte Lanna - Eles mostram um período de ocupação e do crescimento da cidade, quando, pela primeira vez, tinha influências de origens muito diferentes. A cidade cresce muito, e os casarões começam a ser construídos principalmente no início do século 20.

Qual é o estilo arquitetônico desses imóveis?
São todos de uma ocupação que genericamente se chama de ecletismo. Mas eles são diferentes. Uns são mais imponentes, outros menos.
É um lugar que mostra uma cidade onde as diferenças sociais, o mais endinheirado, o menos endinheirado, o imigrante, a família tradicional, as ordens religiosas, conviviam no mesmo espaço. Não tem essa coisa tão cindida, o lugar do rico e o lugar do pobre.

Por que os imóveis com esse valor histórico não permanecem conservados?
Os estímulos são considerados insuficientes pelos proprietários e o poder público não tem condição e acha que nem teria motivo para restaurar, recuperar e dar uso. O que tombar já é uma discussão complicada. Mas depois, como dinamizar, como garantir o uso, aí é uma questão difícil em qualquer lugar. É uma reforma cara.
Mas eu acho que esse lugar da Brigadeiro é bacana porque tem tantas possibilidades, tantas coisas interessantes, e ele não vai, né? E isso dá uma sensação de degradação não só para o imóvel, mas para o entorno todo.

Fonte e fotos: Folha.com

27/02/2011

Praça Dom José Gaspar

E os trabalhos da faculdade sempre nos levam a descobrir lugares pelos quais você sempre passa, mas nem sempre percebe.

Essa praça, a Dom José Gaspar é um desses lugares, pois a maioria sabe onde fica, mas não sabe que esse é seu nome, alguém alguma vez já passou por lá quando foi ao centro de São Paulo e nem percebeu que estava lá.

Para a disciplina de Planejamento Paisagístico, "ganhamos de presente" essa praça como tema de pesquisa, levantamento de dados e inserção na cidade. Eu e meu grupo estivemos no local e prestamos muita atenção nos detalhes, na vegetação, nas pessoas e no que havia ao redor, e o resultado desse levantamento e pesquisa, você logo abaixo com as fotos que tirei e com as informações que pesquisamos.

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A PRAÇA

Praça Dom José Gaspar está localizada na área central da capital de São Paulo, tendo de um lado a Avenida São Luís e de outro a Rua da Consolação. Trata-se de espaço ajardinado atrás da imponente Biblioteca Municipal de São Paulo, a "Biblioteca Municipal Mario de Andrade". Foi toda reformada e aos domigos acontece o projeto Piano na Praça, da Secretaria Municipal de Cultura da cidade de São Paulo.

OBRAS DE ARTE

"Cruzeiro", de Autor Desconhecido,"Miguel de Cervantes", de Rafael Galvez, "Goethe", de Tao Sigulda, "Frederich Chopin", de Autor Desconhecido, "Dante Alighieri", de Bruno Giorgi, "Mário de Andrade", igualmente de Bruno Giorgi, "Camões", de José Cucê.

HISTÓRIA

No século XIX, a Cúria Metropolitana de São Paulo comprou da família Souza Queiroz um palácio na região da Rua São Luís. O imóvel serviu de residência para o arcebispo da cidade. Durante a primeira gestão do prefeito Prestes Maia, ele foi desapropriado e, em 1942, demolido para que ali fosse construída uma praça. No ano seguinte, o então arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar d'Afonseca e Silva, morreu. A praça foi batizada com seu nome em 1949.

QUEM ERA DOM JOSÉ GASPAR

O Dom José Gaspar de Afonseca e Silva nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 6 de janeiro de 1901. Muito jovem ainda foi trazido para São Paulo onde realizou a maior parte de seus estudos. Em 1912 entrou para o colégio São Luís, de Itu, concluindo aí o curso de Humanidades. Em dezembro de 1915 ingressou no Seminário Provincial de São Paulo, pondo batina em 6 de março de 1917. Começou, logo a seguir, os cursos de Teologia e Filosofia, terminando-os em 1923. Em 12 de agosto do mesmo ano recebeu a ordenação sacerdotal. Iniciou o sacerdócio como coadjutor da Paróquia da Consolação, Capital Paulista. Em 1924 seguiu para Roma, afim de cursar Teologia, Filosofia e Direito Canônico no Colégio Pio-Latino. Viajou depois a estudos para a Grecia, Síria, Palestina e Egito. De volta a São Paulo, exerceu as funções de professor e mestre de disciplina no Seminário Provincial, assumiu a reitoria dessa casa de ensino em 1933. Em 23 de abril de 1935 foi sagrado bispo titular de Barca e auxiliar de São Paulo. Com o falecimento de D. Duarte, primeiro arcebispo metropolitano de São Paulo, foi eleito para sucedê-lo em 1939. Achava-se nessa ocasião em Itanhaém, veio para Capital três meses depois, onde foi festivamente recebido. Realizou à frente daquela arquidiocese fecunda admistração de todos os serviços eclesiásticos; deu grande impulso à construção da nova catedral; empreendeu melhoramentos no Museu da Cúria; deu desenvolvimento à imprensa católica e de várias outras instituições culturais; organizou o projeto de basílica de Aparecida do Norte; foi o responsável pela multiplicação das paróquias; pelo recrutamento paroquial e a Ação Católica, promoveu a Semana de Estudos de Ação Católica para o Clero e a grande obra de organização do Quarto Congresso Eucarístico Nacional realizado em São Paulo. Faleceu em virtude de um desastre aéreo, em que um avião de carreira, da linha Rio-São Paulo caiu na ponta do Calabouço, no Rio de Janeiro, no ano de 1943.


Fontes:
http://www.dicionarioderuas.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_Dom_Jos%C3%A9_Gaspar

30/01/2011

Edifício Altino Arantes em São Paulo

Esse foi outro edifício que visitei no aniversário de São Paulo. Já havia ido lá, mas agora fui com um olhar diferente, que a minha formação em arquitetura complementou.

Após a sua fundação em 1947, (inicialmente sob o nome de Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo), o Banco do Estado de São Paulo passou por um período de grande expansão e necessitava de uma sede maior para seus negócios. O primeiro local escolhido para tal finalidade ficava na praça Ramos de Azevedo, local um pouco inadequado pois ficava distante do centro bancário da cidade, compreendido pelas ruas São Bento, Rua XV de Novembro, Direita e adjacentes.

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Decidida a mudar para a área de mais destaque econômico, a diretoria do banco fez um acordo com a Santa Casa de Misericórdia e compra mais alguns prédios ao redor, que seriam demolidos para dar início a construção do novo edifício-sede na rua João Brícola.

O projeto do novo edifício ficou por conta do engenheiro e arquiteto Plínio Botelho do Amaral, mas foi adaptado pela construtora Camargo & Mesquita pois queriam que o novo prédio fosse semelhante ao Empire State Building, em Nova Iorque. As obras tiveram início com o lançamento da pedra fundamental da matriz, em 19 de setembro de 1939. Após quase oito anos, o edifício foi inaugurado em 27 de junho de 1947 já sendo o edifício mais alto de São Paulo, com seus 161,22 metros de altura, título que lhe pertenceu durante quase vinte anos. Durante muito tempo o prédio ficou facilmente identificável devido ao letreiro luminoso que brilhava em seu topo.
Edifício do Banespa foto por Silvio Tanaka.

No ano seguinte foi considerado por uma revista francesa como a maior estrutura de concreto armado do mundo, pois os demais prédios (incluindo o norte-americano Empire State Building, o maior do mundo na época) eram construções de estrutura metálica ou mistas de metal e concreto.

Nos anos 1950, a torre foi ocupada pela antena retransmissora da TV Tupi.

Na década de 1960 teve seu nome mudado para "edifício Altino Arantes", uma homenagem ao primeiro presidente brasileiro do banco, Altino Arantes Marques. Isso porque desde sua fundação, em 1909, até 1919, quando, - na gestão Altino Arantes - o Governo Estadual tornou-se seu acionista majoritário, o banco era controlado por acionistas franceses.

Com o passar dos anos o edifício não sofreu muitas alterações externas notáveis, apenas passou por limpezas e reconstituição das fachadas, ganhando também uma nova iluminação. Já na parte interna sofreu diversas alterações que exigiram intervenção do Museu Banespa, quando algumas áreas do edifício foram tombadas, para protegê-las de modificações que possam alterar suas características originais.

Em 1988, um lustre de três metros de altura e 1,5 tonelada foi instalado no hall de entrada do edifício. Tal peça conta como 150 lâmpadas e cerca de dez mil acessórios de cristal.

No ano de 2000 o Banespa foi privatizado, sendo vendido ao Banco Santander Central Hispano. Porém, para evitar represálias, respeitando a tradição do povo paulistano, os novos donos não fizeram nenhuma alteração significativa na fachada do edifício.

A Torre Banespa é um dos destaques do edifício. Situada no ponto mais alto do prédio, acessível a partir do 34º andar, ela permite uma privilegiada vista panorâmica da cidade, com um alcance de até 40 quilômetros, sendo possível ver outros marcos importantes da cidade, como o Mercado Municipal, a Catedral da Sé, e até mesmo os edifícios Itália, Copan e Hilton. O Mirante do Vale concluído em 1960 , e que apesar de não ser muito conhecido, ainda hoje é o edifício mais alto do Brasil. Além de diversos bairros vizinhos. Isso tudo é possível também pois, apesar de não ser o prédio mais alto, ele está situado no ponto topograficamente mais alto do centro de São Paulo.

No final dos anos 1970 a torre ganhou em volta de sua base uma cinta de alumínio, aonde foi fixado o logotipo do banco. E no topo de edifício encontra-se uma bandeira do estado de São Paulo medindo 7,20 metros de largura por 5,40 de altura, sendo trocada mensalmente por conta do desgaste provocado pelos fortes ventos a aquela altura.

No prédio funciona também o Museu Banespa, que reúne a história do banco desde sua inauguração como Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo até os dias atuais, perto de completar cem anos. O museu possui 993 objetos e mobiliários, 1.003 obras, 98 fotografias assinadas, 66 tapetes orientais e nacionais entre outros itens.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Edif%C3%ADcio_Altino_Arantes

29/01/2011

Edifício Martinelli em São Paulo

Visitei o Edifício Martinelli no dia 25/01/2011, dia do aniversário de São Paulo, na comemoração dos seus 457 anos. Então, coloquei um pouquinho da história dele aqui, já que foi um marco arquitetônico na cidade e continua sendo um dos mais importantes edifícios do Brasil.

Em 1889 um imigrante Italiano desembarcava no Porto do Rio de Janeiro - seu objetivo era o mesmo de tantos outros que chegavam a América: Prosperar!

Esse imigrante, chamado Giuseppe Martinelli, foi excepcionalmente bem sucedido e em pouco mais de duas décadas havia construído um respeitável patrimônio.

Desejoso por deixar um legado mais permanente de seu trabalho, além de sua importante empresa de navegação em Santos, o Comendador Martinelli decide erguer na cidade São Paulo o mais alto arranha-céu da América do Sul, o Edifício Martinelli.

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A obra prometia uma enorme polêmica, pois a São Paulo de então não possuía nenhum edifício de grande estatura, sendo raros os prédios com mais de 5 andares. Planejado para alcançar a barreira dos 100 metros de altura, em uma estrutura não apenas alta como significativamente larga, o Edifício Martinelli marcaria uma transição para a era dos arranha-céus. Passou por momentos difíceis - inclusive, chegou-se a cogitar a sua demolição. Mas o prédio foi recuperado e voltou a ser um orgulho para a cidade..
Em 1924 deu início à construção do prédio projetado para ter 12 andares, num grande terreno na então área mais nobre da capital, entre as ruas São Bento, Líbero Badaró e avenida São João. O autor do projeto era o arquiteto húngaro William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena.

Todo o cimento da construção era importado da Suécia e da Noruega, pela própria casa importadora de Martinelli. Nas obras trabalhavam mais de 600 operários. 90 artesãos, italianos e espanhóis, cuidavam do esmerado acabamento. Os detalhes da rica fachada foram desenhados pelos irmãos Lacombe, que mais tarde projetariam a entrada do túnel da av. 9 de Julho. Diversos imprevistos prolongaram as obras: as fundações abalaram um prédio vizinho – problema resolvido com a compra do prédio por Martinelli; os cálculos estruturais complexos levaram à importação de uma máquina de calcular Mercedes da Alemanha.

Enquanto isso, Martinelli não parava de acrescentar andares ao edifício, estimulado pela própria população que lhe pedia uma altura cada vez maior – de 12 passou para catorze, depois dezoito e em 1928 chegou a vinte. Nessa época o próprio Martinelli já havia assumido o projeto arquitetônico, e, não se satisfazendo em fiscalizar diariamente as obras, também trabalhava como pedreiro – retomando assim a profisssão que exercera na juventude na Itália – e demonstrava enorme prazer em ensinar aos operários mais jovens os macetes da profissão.

Quando o prédio atingiu vinte e quatro andares, foi embargado, por não ter licença e desrespeitar as leis municipais – havia um grande debate na época sobre a conveniência ou não de se construir prédios altos na cidade. A questão foi parar nos tribunais e assumiu contornos políticos, sendo aproveitada pela oposição para fustigar Martinelli e a prefeitura municipal. A questão foi resolvida por uma comissão técnica que garantiu que o prédio era seguro e limitando a altura do prédio a 25 andares. O objetivo de Martinelli, contudo, era chegar aos 30 andares, e o fez construindo sua nova residência com cinco andares no topo do prédio – tal como Gustave Eiffel fizera no topo de sua torre.

O Martinelli impressionava não só pelas dimensões como pela rica ornamentação e luxuoso acabamento: portas de pinho de Riga, escadas de mármore de Carrara, vidros, espelhos e papéis de parede belgas, louça sanitária inglesa, elevadores suíços – tudo o que havia de melhor na época; paredes das escadas revestidas de marmorite, pintura a óleo nas salas a partir do 20º andar, 40 quilômetros de molduras de gesso em arabescos.

O prédio possui reentrâncias, comuns nos hotéis norte-americanos da época, para ventilação e iluminação, e apresenta as três divisões básicas da arquitetura clássica: embasamento, corpo e coroamento. O embasamento é revestido de granito vermelho; no coroamento, falsa mansarda de ardósia. O corpo é pintado em três tons de rosa e recoberto de massa cor-de-rosa, uma mistura de vidro moído, cristal de rocha, areias muito puras e pó-de-mica, que fazia a fachada cintilar à noite. O revestimento tem três tons de rosa. O Martinelli inspirou Oswald de Andrade a chamar pejorativamente São Paulo de “cidade bolo de noiva”.

Entre os inquilinos do prédio, partidos políticos como o PRP, jornais, clubes (ente eles o Palmeiras e a Portuguesa), sindicatos, restaurantes, confeitarias, boates, um hotel (São Bento), o cine Rosário, a escola de dança do professor Patrizi. O tino comercial do Comendador Martinelli se revelava até nas empenas cegas do prédio, que serviam de outdoor gigante para uma série de produtos, entre eles a “pasta dental Elba”, o “café Bhering” e a aguardente Fernet Branca – importada pelo próprio Martinelli.

Mesmo antes de sua conclusão o prédio já havia se tornado um símbolo e ícone de São Paulo – em 1931 o inventor do rádio, Guglielmo Marconi, visitou a cidade e foi levado até o topo do edifício. Quando o Zeppelin sobrevoou a cidade em 1933, deu uma volta em torno do Martinelli.

Contudo, para o Comendador a construção do prédio acarretou sérios problemas financeiros, e em 1934 foi forçado a vender o edifício para o governo da Itália. Em 1943, com a declaração de guerra do Brasil ao eixo, todos os bens italianos foram confiscados e o Martinelli passou a ser propriedade da União, tendo inclusive sido rebatizado com o nome de Edifício América.

Com o fim da II Guerra, a cidade entrou em uma fase de enorme progresso que se refletiu em um boom imobiliário. Em 1947 o Martinelli perdeu o título de prédio mais alto de São Paulo para o vizinho Edifício do Banco do Estado. Porém o prejuízo foi a construção da massa gigantesca do Banco do Brasil do outro lado da av. São João no início dos anos 50, fazendo sombra ao Martinelli – que se tornou assim vítima da própria verticalização da qual tinha sido pioneiro.

Nas décadas de 60 e início da de 70, o prédio entra em rápida decadência por uma série de fatores. O prédio se torna uma favela vertical, ocupado por famílias de baixa renda (o Martinelli era uma das poucas opções de moradia barata no centro) em péssimas condições de salubridade. O cenário é de um verdadeiro filme de terror. Nos corredores compridos e sombrios, onde crianças brincavam em meio à promiscuidade, espreitavam ladrões e prostitutas. Os elevadores pararam de funcionar; o lixo deixou de ser recolhido e passou a ser jogado nos poços de ventilação– as montanhas de lixo atingiam dezenas de metros de altura, e permeavam o prédio com um cheiro de morte.

O Martinelli passou a cenário de vários crimes de grande repercussão nos anos 60, como o do menino Davilson, violentado, estrangulado e jogado no poço do elevador. O assassino nunca foi encontrado. Em meio à miséria e à degradação humana, uma igreja evangélica funcionava no 17º andar, atraindo os infelizes e desesperançados moradores do edifício.

Então, em 1975 o recém-empossado prefeito Olavo Setúbal decidiu salvar o edifício. Desapropriou o prédio – foi necessária a intervenção do exército para retirar os moradores mais renitentes – e deu início à restauração. O responsável pelas obras foi o Engenheiro Walter Merlo, chefiando 640 operários. Os sistemas hidráulico e elétrico foram totalmente substituídos, novos elevadores foram instalados, a fachada foi limpa com jateamento de areia. Um moderno sistema de prevenção a incêndios foi instalado, tornando o Martinelli um dos mais seguros da cidade. Em 1979 foi reinaugurado, sendo ocupado por diversas repartições municipais, como a Emurb e a Cohab.

Fonte: http://www.prediomartinelli.com.br/historia.php

21/01/2011

Castelinho da Rua Apa

E para começar bem o ano, uma boa noitícia para o patrimônio da cidade de São Paulo:

Uma voz fina, um tanto desafinada e um bocado apressada, chamou a atenção do arquiteto Paulo Bastos naquela ligação. "Destino", "ajuda", "projeto", "castelinho", "Apa" era o que dava para entender no meio de tanta afobação da interlocutora. Ontem, tais palavras começaram a ganhar um sentido que pode mudar o destino de um dos endereços mais célebres - e degradados - de São Paulo.
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) decidiu ontem alterar a resolução de tombamento do melancolicamente famoso castelinho da Rua Apa para que o local passe por inédito restauro. É mais um capítulo na conturbada história do edifício de traços ecléticos, na esquina com a Avenida São João, que corre o risco de desabar. O projeto da reforma foi feito por Paulo Bastos, que, depois do telefonema de Maria Eulina Reis Hilsenbeck, presidente da ONG que ocupa o imóvel, decidiu fazer o trabalho gratuitamente.

"Ela ligou falando que só eu tinha atendido o telefone, que era destino, e eu topei fazer", conta. "Ela está fazendo tudo com a cara e a coragem, buscando patrocinadores para restaurar esse lugar tão importante para a cidade."

Para autorizar a obra, conselheiros vão se reunir com representantes da União para liberar a mudança do tombamento, uma vez que o governo federal ainda é dono do terreno. Com a decisão do Conpresp, o castelinho poderá passar por extenso restauro. O trabalho mais difícil, no entanto, começa agora - Maria Eulina já abriu conta para receber doações para bancar o projeto, que deve passar de R$ 5 milhões. "Vai ser um trabalho de formiguinha, mas já tem gente interessada. Com certeza vamos reerguer o prédio", diz Maria Eulina. Ela é presidente da ONG Oficina Profissionalizante das Mães do Brasil, ocupante do imóvel desde 1997. "Será vitrine para artesãos do mundo inteiro, uma espécie de loja colaborativa. Pode demorar, mas vamos fazer."
O imóvel foi tombado pelo Conpresp em dezembro de 2004 - segundo o órgão, trata-se de um "significativo exemplar da arquitetura residencial praticada na capital paulista nas primeiras décadas do século 20 e é remanescente da primeira ocupação urbana da área". Ele é conhecido também por ser motivo de uma das mais famosas disputas judiciais da cidade. Nos anos 1930, era um lugar elegante e admirado, onde moravam os César dos Reis: Maria, a mãe, Álvaro, o filho mais velho, e Armando, o caçula. Em 12 de maio de 1937, o imóvel virou palco de crime famoso: os três membros da família foram mortos a balas de pistola alemã. Segundo autos da polícia, Álvaro matou o irmão, Armando, e a mãe - e se matou em seguida.

A propriedade foi disputada por herdeiros da família até a década de 1980, quando virou propriedade da União. Em 1996, a ONG Mães do Brasil foi autorizada a ocupar um imóvel anexo. O castelinho, porém, continuou abandonado - e até hoje carrega fama de mal-assombrado.

CRONOLOGIA

História de crime e abandono

1912
Pioneira
Construído em 1912 pela família César dos Reis, na Rua Apa, n.º236, o Castelinho é remanescente da primeira ocupação urbana da região.

1937
Crime
Segundo autos policiais, Álvaro Reis matou a mãe, Maria, e o irmão, Armando, no local, em 12 de maio de 1937. As circunstâncias do crime nunca foram esclarecidas.

1987
Litígio
Disputado por herdeiros, vira propriedade da União.

1996
Novo uso
A União autoriza ONG Mães do Brasil a ocupar o local por 50 anos. Entidade, porém, usa imóvel anexo.

2004
Proteção
Castelinho é tombado pelo Conpresp.

2009
Preservação
Justiça decide que a União deve preservar e reformar o imóvel. Governo afirmou esperar aval do Conpresp.

Fonte: Estadão
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110119/not_imp668146,0.php
Fotos dos sites https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFk9ARxfbhmJPwr3yIJOyqywd_VEjwvpNthldg88ibZVDAC9tU0AgYIwp6OqzybmqrYaxIxXPdBuAbyzOwsxzTNKhCiQvoKekJJEwtqmM-6Hcq_5jKwFFiRBvLnfqjrsyPQVjuVXkC_inn/s1600/castelinho-rua-apa.jpg e http://farm1.static.flickr.com/26/99236136_35041f4676.jpg

06/11/2010

Tombadas 7 Obras do Arquiteto Rino Levi

O conjunto do Cine Ipiranga e Hotel Excelsior - na Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo -, o Edifício Garagem América - na Rua Riachuelo, também na região central -, a sede do antigo Banco Sul Americano do Brasil – hoje Itaú -, na Avenida Paulista, a residência Castor Delgado Perez - na Avenida 9 de Julho -, a antiga sede do Instituto de Filosofia, Ciência e Letras Sedes Sapientiae, na Consolação, além do Paço Municipal, em Santo André, e a residência Olívio Gomes, na Fazenda Santana do Rio Abaixo, em São José dos Campos, são as sete obras do arq Rino Levi tombadas pelo Condephaat - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo, depois de 15 anos de análise técnica. Confira a íntegra da matéria publicada pelo jornal o Estado de S. Paulo no dia 4 de novembro:
A primeira garagem vertical de São Paulo, o conjunto de cinema e hotel que foi o mais luxuoso da capital, um prédio cujo projeto é considerado o mais bem-sucedido da Avenida Paulista. A obra do arquiteto Rino Levi, expoente do modernismo no Brasil, recebeu na semana passada novo reconhecimento: sete construções representativas do arquiteto foram tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat), após 15 anos de análise técnica.

Cinco das sete obras ficam na capital paulista. Com o tombamento das estruturas, qualquer modificação na fachada e nos elementos internos tem de passar pela aprovação do Condephaat.

Entre as obras tombadas está o conjunto do Cine Ipiranga e Hotel Excelsior, na Avenida Ipiranga, no centro, de 1941. "O Cine Ipiranga foi o maior e mais importante cinema da cidade, com projeto inovador, que previu um hotel de 22 andares em cima", contou o arquiteto Carlos Faggin, conselheiro do Condephaat. "Foi preciso fazer uma ponte entre as estruturas, o que torna seu projeto significativo para a arquitetura de cinema."
Também foi tombado o Edifício Garagem América, na Rua Riachuelo, região central. Construído entre 1952 e 1958, o prédio passa quase despercebido na rua estreita, mas trata-se do primeiro estacionamento vertical de São Paulo, e também o primeiro a apresentar estrutura metálica aparente do Brasil - são 15 andares com vigas de aço que jamais foram revestidas por concreto.

"Ele já pensava no problema de circulação que se intensificaria. Eram projetos tratados como um todo, não apenas o prédio, mas o lote e o entorno", disse a pesquisadora Maria Beatriz de Queiroz Aranha, da PUC-Campinas, autora de tese de doutorado sobre o arquiteto.

Outro edifício tombado é a sede do antigo Banco Sul Americano do Brasil (hoje Itaú), na Avenida Paulista, esquina com a Rua Frei Caneca. O prédio, de 1961, é apontado pelo Condephaat como o mais eficiente da via, pois foi colocado "de lado". "Sua colocação traz amplitude na vista e não faz parte da "muralha" de prédios que isola a avenida", explicou Maria Beatriz.
Levi também projetou no Jardim América, na zona sul, uma casa em que o próprio quintal serviria de jardim para o bairro todo. Trata-se da residência Castor Delgado Perez, na Avenida 9 de Julho, outra obra protegida.
Também foi tombada a antiga sede do Instituto de Filosofia, Ciência e Letras Sedes Sapientiae, na Consolação. Os dois edifícios, de 1933, têm jardim interno de autoria de Burle Marx e são hoje um dos câmpus da PUC-SP.

Fora da capital. Outras duas construções de Levi que não estão na cidade de São Paulo também foram protegidas. Em São José dos Campos, no interior, foi tombada a residência Olívio Gomes, na Fazenda Santana do Rio Abaixo, também com projeto paisagístico de Burle Marx. Em Santo André, no ABC paulista, foi tombado o Paço Municipal, última obra de Levi, concluída em 1965, após a morte do arquiteto.
QUEM FOI RINO LEVI
ARQUITETO, PIONEIRO DO MODERNISMO NO PAÍS
O arquiteto paulistano Rino Levi (1901-1965) tem como marca a integração dos projetos com o entorno. Além de edifícios e residências, se consagrou como projetista de hospitais - como o Albert Einstein, por exemplo.

Fonte:
Lista Preserva SP e http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101104/not_imp634341,0.php

24/10/2010

Falando em São Paulo...



E falando de São Paulo, um vídeo do premiado cineasta e morador de São Paulo Marcelo Galvão, que conversa com a arquiteta Letícia Nobell, com os designers Fernando e Humberto Campana e com os arquitetos da Triptyque, sobre a forma como eles se relacionam com a cidade, como ela inspira a criatividade e a indústria, o que ela significa para eles.


No site Wallpaper tem de outras metrópoles do mundo, só olhar lá, que foi de onde tirei esse vídeo!
http://www.wallpaper.com/video/travel/city-short-so-paulo/207544211001


Diretor: Marcelo Galvão
Fotografia: Eduardo Makino
Diretores Assistentes: Gabriel Borba, Mauro Lima
Editores: Paulo Rosa, Marcelo Galvão
Arte: Rodrigo Tavares
Som: Sidney Sapucaia

O "Avô" dos Arranha-Céus de São Paulo

Segundo uma matéria publicada no dia 15/10/2010 pelo jornal O Estado de S. Paulo, a partir de agora os visitantes poderão conhecer o Edifício Sampaio Moreira, que fica no centro da capital, e acompanhar de perto a criação de artistas que instalaram seus ateliês ali, em antigas salas comerciais do prédio. Esta é a primeira vez, em 86 anos, que a edificação é aberta a visitação. Até o dia 31 de dezembro, quando acaba o período de exposição, o prédio sediará também palestras sobre artes, tudo gratuito.
Veja a íntegra da matéria publicada pelo jornal:

Até dezembro, o Edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo, conhecido como “avô dos arranha-céus” da capital, vai se transformar num grande ateliê de obras de arte aberto ao público.

Há um mês, seis artistas utilizam as antigas salas comerciais como estúdios de criação, num processo que pode ser acompanhado gratuitamente – e que representa oportunidade única no edifício, aberto a visitação pela primeira vez em 86 anos.

“Não é um lugar neutro. O ambiente, com a história que carrega, influencia no desenvolvimento das obras, que dialogam com o prédio. Só poderiam ser criadas aqui”, disse a crítica de arte Luisa Duarte, curadora do Red Bull House of Arts, evento responsável pela abertura do edifício.

Construído em 1924, o Sampaio Moreira sempre teve uso comercial: funcionou como prédio de escritórios até 2008, quando foi desapropriado pela Prefeitura para instalação da Secretaria Municipal de Cultura (prevista para ser aberta em 2012).

Aos visitantes, a dica é que aproveitem as duas facetas do passeio: além de acompanhar a criação artística nos ateliês, a própria arquitetura do prédio, em estilo eclético, deve ser observada.
E é logo no elevador que aparece a primeira intervenção: uma câmera instalada no fundo mostra o poço do edifício, em movimentação constante, à medida que a cabine sobe e desce.

“Observar a câmera enquanto desce dá a sensação de estar subindo, e vice-versa. Traz sensação de vertigem, que me faz lembrar o centro da cidade”, disse o artista plástico Henrique César, de 23 anos, “residente” do prédio. “Minhas obras pretendem mostrar o lado escondido das coisas, o que há por trás das portas fechadas, das salas sem luz”, afirmou.

Dois andares do edifício, o 10º e o 11º, foram ocupados pelos artistas. Os ateliês foram instalados em salas de 15 metros quadrados, com vista privilegiada do Vale do Anhangabaú, do antigo prédio da Light, do Teatro Municipal.
“Essa vista influencia e pressiona. Aquele teatro recebeu, para ficar num só exemplo, a Semana da Arte Moderna de 1922, o que acrescenta uma dose de pressão no processo criativo”, disse outro residente, o artista Adriano Costa, de 35 anos.

No 10º andar, há ainda uma “galeria transitória”, onde os artistas instalam obras que podem ser modificadas de um dia para o outro. Funciona também como laboratório para a exposição que será realizada na garagem do Sampaio Moreira no dia 25.

A cobertura do prédio, coroada por um pergolado de colunas gregas, é também passagem obrigatória, com vista para o Edifício Martinelli – que com seus 30 andares tirou do Sampaio Moreira o título de arranha-céu em 1934 –, o edifício do Banespa, a Catedral da Sé.

É no terraço, aliás, que a fotógrafa Flávia Junqueira fará sua intervenção: montará uma colorida casa de bonecas de 2 metros de altura. “Vai contrastar com o que há ao redor, os prédios cinzas, que não deixam de ser casas também.”

Serviço:
Red Bull House Of Arts, no Edifício Sampaio Moreira
Quando: de quarta-feira a sábado
Horário: das 10 horas às 22 horas
Endereço: Rua Líbero Badaró, 346, centro

Informações e fotos retiradas dos sites:
E também do grupo de discussão Preserva SP

10/10/2010

Museu da História de São Paulo


Museu da História de São Paulo terá modelo interativo

"Tudo será feito para ser bastante abrangente e de fácil compreensão", diz secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Gustavo Fioratti

Orçado em R$ 52 milhões, espaço deve abrir ao público em 2011 com curadoria do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, o Museu da História de São Paulo, que o governo do Estado pretende abrir até setembro de 2011 na região do parque Dom Pedro, especificamente nas Casas das Retortas, vai seguir o modelo interativo do Museu do Futebol e do Museu da Língua Portuguesa.

As diretrizes foram passadas ao jornalista e escritor Roberto Pompeu de Toledo, responsável pela concepção curatorial do projeto. O museu ocupará a Casa das Retortas, prédio histórico onde funcionou uma das primeiras produtoras de gás da cidade. As obras já estão em execução.

O orçamento de todo o conjunto vai ficar em R$ 52 milhões. Inclui a restauração do prédio, assinada por Paulo Bastos (o mesmo que fez a obra de restauro da Catedral da Sé), a construção de outros dois edifícios projetados por Pedro Mendes da Rocha, além da pesquisa e da instalação museográfica.

O valor supera o da construção do Museu da Língua Portuguesa, que consumiu R$ 37 milhões. E também do Museu do Futebol, que ficou em R$ 32 milhões.

O investimento, segundo Andrea Matarazzo, secretário de Cultura do Estado, foi pensado para suprir uma lacuna. "Ainda não temos um lugar que conte a história de São Paulo, sob todos os seus aspectos, econômico, demográfico e político." Didatismo é um dos pontos-chave, diz o secretário. "Tudo será feito para ser bastante abrangente e de fácil compreensão. Queremos atingir o maior número de pessoas possível", diz.

Roberto Pompeu de Toledo diz que essa é a primeira vez que se dedica a uma curadoria do gênero. Seu nome foi pensado principalmente por conta da publicação de "A Capital da Solidão" (ed. Objetiva, 2003, 560 págs.).

IMIGRANTES

O livro é rico em detalhes sobre a história de São Paulo. Atravessa períodos anteriores ao da fundação da cidade até 1900, quando os imigrantes passam a chegar em grande número.
O museu, no entanto, não se restringe a assuntos relativos à capital. O ponto de partida é um momento anterior ao da chegada dos portugueses. E o trajeto cronológico tem seu ponto final em meados dos anos 80, época em que o país assistiu à abertura do processo democrático com as Diretas Já.

Toledo prefere não citar especificidades, por considerar o projeto ainda suscetível a mudanças. Mas adianta que maquetes, ambientações cenográficas, recursos digitais e animações norteiam a concepção museológica.
O Museu da Civilização do Canadá e o Museu d'História de Catalunya (Espanha) também serviram de modelo.

São exemplos de projetos apoiados em recursos interativos, que, neste caso, também suprem a falta de material histórico. "Até o século 19, é pobre o material iconográfico relativo ao Estado de São Paulo", explica Toledo.


CASAS DAS RETORTAS


Foram inauguradas em 1872, próximas às margens do rio Tamanduateí e às estradas de ferro, as casas que abrigariam o Gasômetro, da companhia inglesa "The San Paulo Gas Company", responsável pela introdução da iluminação pública da cidade. A área do terreno pertencera à Chácara da Figueira, antiga propriedade da Marquesa de Santos.

Com o aumento da demanda e consumo, foi necessário aumentar o Gasômetro, sendo edificada uma nova usina em 1889 – a atual Casa das Retortas (a primeira construção foi demolida no início da década de 1910). Em 1967 as instalações da então Companhia Paulista de Serviços de Gás foram declaradas de utilidade pública pela Prefeitura e é criada a Companhia Municipal de Gás (Comgás). O edifício sofreu então adaptações e restauros, segundo projeto de Paulo Mendes da Rocha, sendo mantidas algumas características da década de 20.


Fontes:
http://flickriver.com/photos/lucibraga/4527384161/ e http://entresseio.blogspot.com/2009/02/cultura-patrimonio-cultural-e-historico.html  e http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada e http://arquitetoederolivato.blogspot.com/2010/08/patrimionio-despedacado-4-casa-da.html

26/09/2010

Cine Gemini - Mais um cinema fecha...

Há 35 anos instalado em uma galeria comercial na Avenida Paulista, o Cine Gemini vai encerrar suas atividades após a última sessão deste domingo. Funcionários disseram ontem que sequer foram avisados sobre o fim das exibições. Procurada, a direção do cinema não foi localizada para explicar os motivos do fechamento.

Em comunicado enviado na terça-feira, a assessoria de imprensa se limitou a informar a programação do fim de semana, cuja última exibição será a do filme Cabeça a Prêmio, às 21h40. No mesmo e-mail, acrescentou: "Aproveitamos para informar que o Cinema Gemini não irá funcionar a partir de 27/09/2010, devido ao encerramento de suas atividades". Em seguida, a nota agradece o "apoio recebido durante a parceria", sem mais informações sobre o encerramento.

Frequentadores lamentaram a notícia. "É uma pena. Será nossa última sessão aqui", disse a aposentada Elisa Maria Rosati, de 70 anos, que já se programou para assistir ao filme A Jovem Rainha Vitória neste fim de semana. Moradora da região, ela conta que nos últimos tempos sempre que passava pela galeria via o Gemini quase vazio. "Deve ser por isso", acredita.

Mais um fechado. O Cine Gemini, que nos últimos anos se dedicava a passar filmes que já haviam saído de cartaz em outras salas da cidade, não foi o único a fechar as portas neste ano.

Em maio, o Cine Lilian Lemmertz fez sua última sessão com apenas 11 espectadores. Após dez anos de funcionamento na Lapa, o cinema não sobreviveu ao fim do apoio financeiro da distribuidora Polifilmes. Na Rua da Consolação, o cinema Belas Artes não fechou as portas, mas também enfrenta dificuldades desde que perdeu o patrocínio do HSBC, em março. "O Gemini é um dos poucos cinemas de rua que restam na cidade. É uma pena quando qualquer espaço cultural fecha, cinema em particular", diz André Sturm, proprietário do Belas Artes. "É difícil manter um cinema fora de shopping. No Belas Artes, que é maior, já é difícil. Imagine então com duas salas."

Para o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, as salas tinham "morte anunciada". "Depois da revolução das grandes redes, como Cinemark, não há espaço para projeção ruim. Com filmes em Blu-ray, para que sair de casa e ter imagem e som ruins, ainda que por preço baixo?" Em sua opinião, o fato de cinemas de shopping terem conquistado boa parte do público não justifica a decadência do Gemini. "Tinha de fechar, não sou a favor da nostalgia do que é ruim. É diferente do Belas Artes, que não parou no tempo como o Gemini."

Pontos-Chave

Inauguração
As salas de cinema Gemini 1 e Gemini 2 abriram as portas no dia 29 de maio de 1975. O Gemini 1 estreou com o filme Primeira Página e o Gemini 2 exibiu o longa Golpe Baixo

Batizado
O nome italiano ("gêmeas", em português) foi definido pela Metro-Goldwyn-Mayer, sua matriz original, e remete ao aspecto das duas salas, de decoração igual e mesmo número de lugares: 328

Decoração
As salas foram decoradas pelo sueco Lennart Clemmens com poltronas combinadas a carpetes e bancos suspensos na sala de espera. Continuam até hoje com essas características. O local foi ambientado na década de 1970 e fica impossível não associar ao corredor de Overlook Hotel, do filme O Iluminado.

Os carpetes são um charme à parte. São dois tipos: o primeiro nas cores vermelho-laranja e o segundo azul-verde proporcionam um jogo de imagens psicodélicas. O banheiro, de azulejos vermelhos, dá um tom meio sombrio e, ao mesmo tempo, vintage.

As luzes são distribuídas em forma de estrela e os acentos de espera são de couro vermelho. Tudo parece muito antigo e bem cuidado.

O ponto fraco do Cine Gemini são as poltronas. Antigas e desconfortáveis, não possuem aquele dispositivo de colocar copos de refrigerante.

Doces
Em 2005, quando comemorou 30 anos, o cinema passou a oferecer mimos aos frequentadores: cappuccino, café, chocolate quente, refrigerante e até pirulitos para as crianças.


Informação

Hoje a tarde, escutando o programa do Milton Neves na Rádio Bandeirantes, o mesmo informou que o dono do cinema morou nos EUA durante muitos anos, e que os compromissos de pagamentos com prefeitura e condomínio não foram pagos, ou seja, o cinema foi a leilão algumas vezes e no último foi comprado por 2,9 milhões de reais, o que acarretou no seu fechamento.

PS: espero que exista um processo de restauro, incluindo tecnologia sem perder as origens, assim como foi feito no Cine Marabá, no centro, por esse novo dono.


Fonte: Estadão, Cinebuteco as fotos são desses sites também.