O conjunto do Cine Ipiranga e Hotel Excelsior - na Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo -, o Edifício Garagem América - na Rua Riachuelo, também na região central -, a sede do antigo Banco Sul Americano do Brasil – hoje Itaú -, na Avenida Paulista, a residência Castor Delgado Perez - na Avenida 9 de Julho -, a antiga sede do Instituto de Filosofia, Ciência e Letras Sedes Sapientiae, na Consolação, além do Paço Municipal, em Santo André, e a residência Olívio Gomes, na Fazenda Santana do Rio Abaixo, em São José dos Campos, são as sete obras do arq Rino Levi tombadas pelo Condephaat - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo, depois de 15 anos de análise técnica. Confira a íntegra da matéria publicada pelo jornal o Estado de S. Paulo no dia 4 de novembro:
A primeira garagem vertical de São Paulo, o conjunto de cinema e hotel que foi o mais luxuoso da capital, um prédio cujo projeto é considerado o mais bem-sucedido da Avenida Paulista. A obra do arquiteto Rino Levi, expoente do modernismo no Brasil, recebeu na semana passada novo reconhecimento: sete construções representativas do arquiteto foram tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat), após 15 anos de análise técnica.
Cinco das sete obras ficam na capital paulista. Com o tombamento das estruturas, qualquer modificação na fachada e nos elementos internos tem de passar pela aprovação do Condephaat.
Entre as obras tombadas está o conjunto do Cine Ipiranga e Hotel Excelsior, na Avenida Ipiranga, no centro, de 1941. "O Cine Ipiranga foi o maior e mais importante cinema da cidade, com projeto inovador, que previu um hotel de 22 andares em cima", contou o arquiteto Carlos Faggin, conselheiro do Condephaat. "Foi preciso fazer uma ponte entre as estruturas, o que torna seu projeto significativo para a arquitetura de cinema."
Também foi tombado o Edifício Garagem América, na Rua Riachuelo, região central. Construído entre 1952 e 1958, o prédio passa quase despercebido na rua estreita, mas trata-se do primeiro estacionamento vertical de São Paulo, e também o primeiro a apresentar estrutura metálica aparente do Brasil - são 15 andares com vigas de aço que jamais foram revestidas por concreto.
"Ele já pensava no problema de circulação que se intensificaria. Eram projetos tratados como um todo, não apenas o prédio, mas o lote e o entorno", disse a pesquisadora Maria Beatriz de Queiroz Aranha, da PUC-Campinas, autora de tese de doutorado sobre o arquiteto.
Outro edifício tombado é a sede do antigo Banco Sul Americano do Brasil (hoje Itaú), na Avenida Paulista, esquina com a Rua Frei Caneca. O prédio, de 1961, é apontado pelo Condephaat como o mais eficiente da via, pois foi colocado "de lado". "Sua colocação traz amplitude na vista e não faz parte da "muralha" de prédios que isola a avenida", explicou Maria Beatriz.
Levi também projetou no Jardim América, na zona sul, uma casa em que o próprio quintal serviria de jardim para o bairro todo. Trata-se da residência Castor Delgado Perez, na Avenida 9 de Julho, outra obra protegida.
Também foi tombada a antiga sede do Instituto de Filosofia, Ciência e Letras Sedes Sapientiae, na Consolação. Os dois edifícios, de 1933, têm jardim interno de autoria de Burle Marx e são hoje um dos câmpus da PUC-SP.
Fora da capital. Outras duas construções de Levi que não estão na cidade de São Paulo também foram protegidas. Em São José dos Campos, no interior, foi tombada a residência Olívio Gomes, na Fazenda Santana do Rio Abaixo, também com projeto paisagístico de Burle Marx. Em Santo André, no ABC paulista, foi tombado o Paço Municipal, última obra de Levi, concluída em 1965, após a morte do arquiteto.
QUEM FOI RINO LEVI
ARQUITETO, PIONEIRO DO MODERNISMO NO PAÍS
O arquiteto paulistano Rino Levi (1901-1965) tem como marca a integração dos projetos com o entorno. Além de edifícios e residências, se consagrou como projetista de hospitais - como o Albert Einstein, por exemplo.
Fonte:
Lista Preserva SP e http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101104/not_imp634341,0.php
Esse blog começou como algo específico sobre design de interiores, mas com o tempo e com a experiência, comecei a mostrar mais sobre o patrimônio arquitetônico, cultural, gastronômico e imaterial em cidades brasileiras, falando também sobre como o turismo acontece nesses locais e como visitar. Por aqui você também vai ver atividades relacionadas à cultura, como exposições e mostras.
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06/11/2010
10/07/2010
Salve, Jorge!
Essa reportagem saiu no dia 26/06 no Suplemento Casa do Jornal O Estado de SP. Sobre Jorge Zalszupin, um dos designers mais aclamados no Brasil e no mundo.
Momento relax. O arquiteto Jorge Zalszupin junto de sua poltrona Dinamaquesa, de 1959.
É com dificuldade que o arquiteto e designer desce os degraus da escada que liga o piso superior ao estar da casa de 600 m², projetada por ele no Jardim América. "Velhice", brinca o polonês de origem judaica, nascido em 1922 e batizado Jerzy Zalszupin. No Brasil, onde chegou no finalzinho dos anos 40 e depois se naturalizou, virou Jorge.
Da Polônia, não guarda boas lembranças. É o antissemitismo percebido desde a infância, os pais separados, o clima de fuga do nazismo. De lá foi para a Romênia, depois Paris, depois o Rio, depois São Paulo. Quase nonagenário, o homem que em casa dizem ser quietíssimo parece não ter receio de expor cicatrizes - como se pode observar na entrevista publicada nas próximas páginas.
Figura notável na história do design nacional, Zalszupin fundou, dez anos depois de sua chegada ao Brasil, o L’Atelier. A empresa marcou época com seus móveis modernos, que hoje trazem o autor novamente à evidência por conta do interesse do mercado - nacional e internacional - pelo mobiliário brasileiro dos anos 40 aos 70. Não é só. Podem-se conhecer outras contribuições importantes do projetista no texto da professora de História do Design Ethel Leon, publicado à página 12.
Falar mais sobre Jorge Zalszupin, o quê? Que projetou várias arquiteturas, que está na ativa e que tem uma relação uterina coma casa e a vida. Em seus 88 anos recém-completados, uma macarronada com a mulher, as filhas e a neta deu conta da comemoração. Mais Jorge, impossível.
Conforto e história. A sala de estar do lar de Jorge Zalszupin sintetiza memórias de 88 anos. Ao fundo. a escada feita de jacarandá
COMEÇO DE VIDA: arquiteto quis lucrar e levou prejuízo
Era 1949. Antes de imigrar para o Brasil, Jorge Zalszupin tinha o equivalente a US$ 500 em Paris. Pensou em comprar algo para vender mais caro na nova terra. Então, torrou o dinheiro em perfumes franceses, mas tudo foi por água abaixo.
Recém-chegado ao País, tentava vender os frascos e nada. "Ninguém comprou e fiquei a zero", conta. Pior: encontrou um dito "amigo" de seu pai, que pegou a mercadoria e disse que ia vendê-la. "Estou esperando ele voltar há uns 70 anos."
ANÁLISE: ETHEL LEON
Arquiteto, designer e professor
A obra de Jorge Zalszupin ainda vai ganhar muitos volumes em bibliotecas. Sua produção tem facetas a serem estudadas e uma delas é assombrosa. Ele liderou um laboratório de design que atendia simultaneamente a uma empresa de computadores, uma de utensílios plásticos, uma de móveis e outra de ferragens!
Essa experiência rara em todo o mundo foi nos anos 70, quando o grupo Forsa comprou o L’Atelier, de Jorge, que fabricava móveis. Levou junto o passe dele, como diretor de desenvolvimento de produtos. São desse período ousados móveis e utensílios.
No L’Atelier, fundado em 1959, novas peças eram desenvolvidas o tempo todo, usando madeira maciça, como o jacarandá, em desenhos por vezes frugais e modernos, aqui e ali com lembrança do design nórdico; e às vezes exagerados, sem economia de matéria-prima, que atendia a uma clientela rica e desejosa de grandes volumes nos ambientes.
Jorge é reverenciado por muitos que trabalharam com ele, pois conseguia ensinar e incentivar seus colaboradores. Que o digam Oswaldo Mellone e Julio Katinsky, autores de projetos de móveis e utensílios gestados com Zalszupin. Muito me alegra ter apresentado Jorge a Etel Carmona, que reeditou vários móveis dele. Seria fantástico que uma empresa de plásticos produzisse o engenhoso balde de gelo ou os armários Putzkits, grandes projetos sem similar...
* Ethel Leon é editora da revista de design Agitprop (www.agitprop.com.br), professora de história do design e autora de ‘Memórias do Design Brasileiro’ (Ed. Senac)
OBS: informações retiradas do Suplemento Casa e da edição digital do Estadão.
REPORTAGEM Beto Abolafio / PRODUÇÃO Ângela Caçapava / FOTOS Zeca Wittner e Divulgação
Ano 6 - Nº 297 120A 26 de Julho de 2010
(clique no título do post para ir para a página original)
Momento relax. O arquiteto Jorge Zalszupin junto de sua poltrona Dinamaquesa, de 1959.
É com dificuldade que o arquiteto e designer desce os degraus da escada que liga o piso superior ao estar da casa de 600 m², projetada por ele no Jardim América. "Velhice", brinca o polonês de origem judaica, nascido em 1922 e batizado Jerzy Zalszupin. No Brasil, onde chegou no finalzinho dos anos 40 e depois se naturalizou, virou Jorge.
Da Polônia, não guarda boas lembranças. É o antissemitismo percebido desde a infância, os pais separados, o clima de fuga do nazismo. De lá foi para a Romênia, depois Paris, depois o Rio, depois São Paulo. Quase nonagenário, o homem que em casa dizem ser quietíssimo parece não ter receio de expor cicatrizes - como se pode observar na entrevista publicada nas próximas páginas.
Figura notável na história do design nacional, Zalszupin fundou, dez anos depois de sua chegada ao Brasil, o L’Atelier. A empresa marcou época com seus móveis modernos, que hoje trazem o autor novamente à evidência por conta do interesse do mercado - nacional e internacional - pelo mobiliário brasileiro dos anos 40 aos 70. Não é só. Podem-se conhecer outras contribuições importantes do projetista no texto da professora de História do Design Ethel Leon, publicado à página 12.
Falar mais sobre Jorge Zalszupin, o quê? Que projetou várias arquiteturas, que está na ativa e que tem uma relação uterina coma casa e a vida. Em seus 88 anos recém-completados, uma macarronada com a mulher, as filhas e a neta deu conta da comemoração. Mais Jorge, impossível.
Conforto e história. A sala de estar do lar de Jorge Zalszupin sintetiza memórias de 88 anos. Ao fundo. a escada feita de jacarandá
COMEÇO DE VIDA: arquiteto quis lucrar e levou prejuízo
Era 1949. Antes de imigrar para o Brasil, Jorge Zalszupin tinha o equivalente a US$ 500 em Paris. Pensou em comprar algo para vender mais caro na nova terra. Então, torrou o dinheiro em perfumes franceses, mas tudo foi por água abaixo.
Recém-chegado ao País, tentava vender os frascos e nada. "Ninguém comprou e fiquei a zero", conta. Pior: encontrou um dito "amigo" de seu pai, que pegou a mercadoria e disse que ia vendê-la. "Estou esperando ele voltar há uns 70 anos."
ANÁLISE: ETHEL LEON
Arquiteto, designer e professor
A obra de Jorge Zalszupin ainda vai ganhar muitos volumes em bibliotecas. Sua produção tem facetas a serem estudadas e uma delas é assombrosa. Ele liderou um laboratório de design que atendia simultaneamente a uma empresa de computadores, uma de utensílios plásticos, uma de móveis e outra de ferragens!
Essa experiência rara em todo o mundo foi nos anos 70, quando o grupo Forsa comprou o L’Atelier, de Jorge, que fabricava móveis. Levou junto o passe dele, como diretor de desenvolvimento de produtos. São desse período ousados móveis e utensílios.
No L’Atelier, fundado em 1959, novas peças eram desenvolvidas o tempo todo, usando madeira maciça, como o jacarandá, em desenhos por vezes frugais e modernos, aqui e ali com lembrança do design nórdico; e às vezes exagerados, sem economia de matéria-prima, que atendia a uma clientela rica e desejosa de grandes volumes nos ambientes.
Jorge é reverenciado por muitos que trabalharam com ele, pois conseguia ensinar e incentivar seus colaboradores. Que o digam Oswaldo Mellone e Julio Katinsky, autores de projetos de móveis e utensílios gestados com Zalszupin. Muito me alegra ter apresentado Jorge a Etel Carmona, que reeditou vários móveis dele. Seria fantástico que uma empresa de plásticos produzisse o engenhoso balde de gelo ou os armários Putzkits, grandes projetos sem similar...
* Ethel Leon é editora da revista de design Agitprop (www.agitprop.com.br), professora de história do design e autora de ‘Memórias do Design Brasileiro’ (Ed. Senac)
OBS: informações retiradas do Suplemento Casa e da edição digital do Estadão.
REPORTAGEM Beto Abolafio / PRODUÇÃO Ângela Caçapava / FOTOS Zeca Wittner e Divulgação
Ano 6 - Nº 297 120A 26 de Julho de 2010
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23/05/2010
O tempo não pára...
Chuvas em volumes nunca antes registrados, trazendo em seu rastro enchentes e deslizamentos. Temperaturas nas alturas, acumulando recordes - um dos verões mais quentes das últimas décadas. Dias que, por certo, serão lembrados mais pelo excessos de calor (hemisfério sul) e frio (hemisfério norte) e pelas tempestades - principalmente frente a construções como as nossas, ainda pouco adaptadas às instabilidades climáticas.
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"Eles sempre se mostraram interessados no assunto. Mas atualmente querem saber detalhes, se certificar de que a casa vai mesmo funcionar em boas condições de conforto térmico", diz o arquiteto Lourenço Gimenes, do escritório Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz (FGMF), profissional que vem se acostumando a abordar assuntos como ventilação cruzada e eficiência energética nos encontros com seus clientes.
Sempre preocupado com o desempenho global dos seus projetos, Gimenes afirma que, muitas vezes, são os fatores climáticos, mais do que elementos de ordem estética, que determinam as linhas gerais dos trabalhos da FGMF. A novidade é o interesse, e a preocupação, que os moradores têm demonstrado pelo tema. "Da localização das janelas, passando pelos elementos de proteção e de isolamento, eles querem saber de tudo", relata o arquiteto, para quem, em se tratando de conforto térmico, não existe uma solução padrão, mas procedimentos que devem ser observados constantemente.
Posicionar a casa corretamente no terreno, de preferência com os ambientes que devem ser mais intensamente iluminados voltados para a face norte, e conhecer bem as características de insolação, sobretudo o ângulo de incidência dos raios solares, e o regime de ventos locais, são, segundo ele, critérios básicos para se dar início a qualquer projeto. No mais, tudo vai depender da habilidade de cada profissional em se adequar às condições locais.

Uma opinião compartilhada, em número e grau, pelo arquiteto Ricardo Julião, para quem as mais elevadas expressões construtivas da história da arquitetura são aquelas que guardaram estreita relação com seu entorno. "A transposição pura e simples de modelos de outros países, como as casas neoclássicas, normalmente sem beirais, ou os chalés alpinos, com telhados inclinados, são mais que aberrações estéticas. São soluções inadequadas ao nosso clima", dispara ele.
Diante da ameaça de aquecimento global, Julião acredita que construções pouco eficientes em termos de desempenho térmico podem significar não apenas perda de qualidade de vida para seus habitantes mas um risco para todo o ambiente - na medida em que, um aumento de consumo causado pela adoção indiscriminada de aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, colabora para a criação de mais e mais usinas hidrelétricas ou termoelétricas (fontes de energia sabidamente capazes de acarretar grande impacto ambiental).
"Entre as consequências mais evidentes da urbanização acelerada, temos a formação de condições climáticas particulares, verdadeiros micro-climas, resultado direto da atividade humana sobre a natureza. É preciso ficar atento aos riscos de inundações e desmoronamentos, mesmo na cidade", alerta Julião. Segundo o arquiteto, a perda da camada vegetal - superfície natural de drenagem - é um dos desafios a serem enfrentados.
Assim, uma configuração residencial ideal seria aquela capaz de minimizar ao máximo seu impacto sobre o microclima e mais adaptada às condições de insolação e ventilação. "O conforto é obtido a partir da manipulação de um complexo conjunto de fatores: temperatura, umidade, circulação de ar e radiação solar. É a dosagem correta desses parâmetros que produz sensações térmicas agradáveis ou não", explica Rodrigo Marcondes Ferraz, outro sócio da FGMF.
Caminhos do sol. A incidência de luz solar é o item que mais influencia o ganho térmico nas edificações, variando em intensidade de acordo com as aberturas e os materiais construtivos utilizados. Segundo Marcondes Ferraz, existem alguns casos em que a incidência dos raios de sol se dá quase perpendicularmente à fachada. Por vezes é necessário até mesmo obstruir essas aberturas por completo, bloqueando até mesmo a luz natural.
"Costumo dizer a meus clientes que o importante é controlar o excesso de radiação solar nos ambientes. Uma vez que o calor entrou, conter o avanço da temperatura acaba sendo muito mais trabalhoso. E bem mais custoso", alerta Ricardo Julião. Como elementos de proteção, ele aconselha, além dos vidros de última geração, que filtram a luz, telhados com beirais pronunciados e brise-soleils.
Utilizados para impedir a incidência direta de radiação solar nos interiores de um edifício, os brises foram bastante explorados pela arquitetura modernista, onde aparecem construídos em concreto, madeira e alumínio. Normalmente formados por uma série de lâminas, móveis ou não, eles devem ser posicionados frente às aberturas. Quando móveis, permitem aumentar (ou diminuir) a entrada dos raios solares no recinto.
"A insolação intensa é, aparentemente, a maior causa do desconforto térmico. Mas o problema, muitas vezes, começa bem antes", afirma Marcondes Ferraz. "É preciso se ocupar do assunto ainda na fase de construção. Paredes de maior espessura, feitas de tijolos cerâmicos, são isolantes térmicos naturais. Para os telhados, é sempre interessante optar por forros, isolantes ou mesmo telhas térmicas", pontua. Para as fachadas sujeitas à insolação intensa, ele aconselha a pintura em cores claras.
A curva dos ventos. Uma boa condição de ventilação é essencial para se atingir níveis satisfatórios de conforto nos interiores. O deslocamento do ar através de aberturas - umas funcionando como entrada, outras como saída - pode, desde que bem planejado, proporcionar resfriamento adicional aos ambientes. "É interessante sempre trabalhar com a ventilação cruzada, prevendo a circulação do ar de acordo com a posição das aberturas e o regime de ventos do local - convergentes para uso nos meses mais quentes, mas com possibilidade de fechamento durante os mais frios", explica Marcondes Ferraz.
Por fim, existem dois recursos, agradáveis aos cinco sentidos, que podem bem ser empregados para aprimorar a sensação de frescor: a instalação de espelhos d’água e jardins em áreas próximas às aberturas, o que inclui árvores de maior porte, que, além de sombrear, ajudam a reduzir ruídos externos e atuam como um espécie de filtro, captando a poeira.
Mas, para conseguir os melhores resultados, é necessário sempre se levar em conta a forma e as características de desenvolvimento de cada planta, tanto no verão, quanto no inverno. Segundo os profissionais, uma boa dica é optar por árvores com folhas caducas, vegetação que, além de oferecer sombreamento sem bloquear a luz natural no verão, possibilita plena incidência de luz no inverno - período de queda das folhas.

Como se vê, fazer as pazes com o clima, ao contrário do que parece, não é missão impossível. Mesmo quem já construiu pode desfrutar de dias de conforto com a adoção de medidas simples. Para ajudar na tarefa, o Casa apresenta (na pág. anterior) dicas e soluções de projeto de eficácia comprovada quando o assunto é garantir melhores condições térmicas entre quatro paredes - e pelos próximos invernos e verões.
OBS:
reportagem do suplemento Casa & Sustentabilidade, publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 25/04/2010. Para acessar a reportagem original, clique no título do post.
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"Eles sempre se mostraram interessados no assunto. Mas atualmente querem saber detalhes, se certificar de que a casa vai mesmo funcionar em boas condições de conforto térmico", diz o arquiteto Lourenço Gimenes, do escritório Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz (FGMF), profissional que vem se acostumando a abordar assuntos como ventilação cruzada e eficiência energética nos encontros com seus clientes.
Sempre preocupado com o desempenho global dos seus projetos, Gimenes afirma que, muitas vezes, são os fatores climáticos, mais do que elementos de ordem estética, que determinam as linhas gerais dos trabalhos da FGMF. A novidade é o interesse, e a preocupação, que os moradores têm demonstrado pelo tema. "Da localização das janelas, passando pelos elementos de proteção e de isolamento, eles querem saber de tudo", relata o arquiteto, para quem, em se tratando de conforto térmico, não existe uma solução padrão, mas procedimentos que devem ser observados constantemente.
Posicionar a casa corretamente no terreno, de preferência com os ambientes que devem ser mais intensamente iluminados voltados para a face norte, e conhecer bem as características de insolação, sobretudo o ângulo de incidência dos raios solares, e o regime de ventos locais, são, segundo ele, critérios básicos para se dar início a qualquer projeto. No mais, tudo vai depender da habilidade de cada profissional em se adequar às condições locais.

Uma opinião compartilhada, em número e grau, pelo arquiteto Ricardo Julião, para quem as mais elevadas expressões construtivas da história da arquitetura são aquelas que guardaram estreita relação com seu entorno. "A transposição pura e simples de modelos de outros países, como as casas neoclássicas, normalmente sem beirais, ou os chalés alpinos, com telhados inclinados, são mais que aberrações estéticas. São soluções inadequadas ao nosso clima", dispara ele.
Diante da ameaça de aquecimento global, Julião acredita que construções pouco eficientes em termos de desempenho térmico podem significar não apenas perda de qualidade de vida para seus habitantes mas um risco para todo o ambiente - na medida em que, um aumento de consumo causado pela adoção indiscriminada de aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, colabora para a criação de mais e mais usinas hidrelétricas ou termoelétricas (fontes de energia sabidamente capazes de acarretar grande impacto ambiental).
"Entre as consequências mais evidentes da urbanização acelerada, temos a formação de condições climáticas particulares, verdadeiros micro-climas, resultado direto da atividade humana sobre a natureza. É preciso ficar atento aos riscos de inundações e desmoronamentos, mesmo na cidade", alerta Julião. Segundo o arquiteto, a perda da camada vegetal - superfície natural de drenagem - é um dos desafios a serem enfrentados.
Assim, uma configuração residencial ideal seria aquela capaz de minimizar ao máximo seu impacto sobre o microclima e mais adaptada às condições de insolação e ventilação. "O conforto é obtido a partir da manipulação de um complexo conjunto de fatores: temperatura, umidade, circulação de ar e radiação solar. É a dosagem correta desses parâmetros que produz sensações térmicas agradáveis ou não", explica Rodrigo Marcondes Ferraz, outro sócio da FGMF.
Caminhos do sol. A incidência de luz solar é o item que mais influencia o ganho térmico nas edificações, variando em intensidade de acordo com as aberturas e os materiais construtivos utilizados. Segundo Marcondes Ferraz, existem alguns casos em que a incidência dos raios de sol se dá quase perpendicularmente à fachada. Por vezes é necessário até mesmo obstruir essas aberturas por completo, bloqueando até mesmo a luz natural.
"Costumo dizer a meus clientes que o importante é controlar o excesso de radiação solar nos ambientes. Uma vez que o calor entrou, conter o avanço da temperatura acaba sendo muito mais trabalhoso. E bem mais custoso", alerta Ricardo Julião. Como elementos de proteção, ele aconselha, além dos vidros de última geração, que filtram a luz, telhados com beirais pronunciados e brise-soleils.
Utilizados para impedir a incidência direta de radiação solar nos interiores de um edifício, os brises foram bastante explorados pela arquitetura modernista, onde aparecem construídos em concreto, madeira e alumínio. Normalmente formados por uma série de lâminas, móveis ou não, eles devem ser posicionados frente às aberturas. Quando móveis, permitem aumentar (ou diminuir) a entrada dos raios solares no recinto.
"A insolação intensa é, aparentemente, a maior causa do desconforto térmico. Mas o problema, muitas vezes, começa bem antes", afirma Marcondes Ferraz. "É preciso se ocupar do assunto ainda na fase de construção. Paredes de maior espessura, feitas de tijolos cerâmicos, são isolantes térmicos naturais. Para os telhados, é sempre interessante optar por forros, isolantes ou mesmo telhas térmicas", pontua. Para as fachadas sujeitas à insolação intensa, ele aconselha a pintura em cores claras.
A curva dos ventos. Uma boa condição de ventilação é essencial para se atingir níveis satisfatórios de conforto nos interiores. O deslocamento do ar através de aberturas - umas funcionando como entrada, outras como saída - pode, desde que bem planejado, proporcionar resfriamento adicional aos ambientes. "É interessante sempre trabalhar com a ventilação cruzada, prevendo a circulação do ar de acordo com a posição das aberturas e o regime de ventos do local - convergentes para uso nos meses mais quentes, mas com possibilidade de fechamento durante os mais frios", explica Marcondes Ferraz.
Por fim, existem dois recursos, agradáveis aos cinco sentidos, que podem bem ser empregados para aprimorar a sensação de frescor: a instalação de espelhos d’água e jardins em áreas próximas às aberturas, o que inclui árvores de maior porte, que, além de sombrear, ajudam a reduzir ruídos externos e atuam como um espécie de filtro, captando a poeira.
Mas, para conseguir os melhores resultados, é necessário sempre se levar em conta a forma e as características de desenvolvimento de cada planta, tanto no verão, quanto no inverno. Segundo os profissionais, uma boa dica é optar por árvores com folhas caducas, vegetação que, além de oferecer sombreamento sem bloquear a luz natural no verão, possibilita plena incidência de luz no inverno - período de queda das folhas.
Como se vê, fazer as pazes com o clima, ao contrário do que parece, não é missão impossível. Mesmo quem já construiu pode desfrutar de dias de conforto com a adoção de medidas simples. Para ajudar na tarefa, o Casa apresenta (na pág. anterior) dicas e soluções de projeto de eficácia comprovada quando o assunto é garantir melhores condições térmicas entre quatro paredes - e pelos próximos invernos e verões.
OBS:
reportagem do suplemento Casa & Sustentabilidade, publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 25/04/2010. Para acessar a reportagem original, clique no título do post.
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