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29/01/2011

Edifício Martinelli em São Paulo

Visitei o Edifício Martinelli no dia 25/01/2011, dia do aniversário de São Paulo, na comemoração dos seus 457 anos. Então, coloquei um pouquinho da história dele aqui, já que foi um marco arquitetônico na cidade e continua sendo um dos mais importantes edifícios do Brasil.

Em 1889 um imigrante Italiano desembarcava no Porto do Rio de Janeiro - seu objetivo era o mesmo de tantos outros que chegavam a América: Prosperar!

Esse imigrante, chamado Giuseppe Martinelli, foi excepcionalmente bem sucedido e em pouco mais de duas décadas havia construído um respeitável patrimônio.

Desejoso por deixar um legado mais permanente de seu trabalho, além de sua importante empresa de navegação em Santos, o Comendador Martinelli decide erguer na cidade São Paulo o mais alto arranha-céu da América do Sul, o Edifício Martinelli.

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A obra prometia uma enorme polêmica, pois a São Paulo de então não possuía nenhum edifício de grande estatura, sendo raros os prédios com mais de 5 andares. Planejado para alcançar a barreira dos 100 metros de altura, em uma estrutura não apenas alta como significativamente larga, o Edifício Martinelli marcaria uma transição para a era dos arranha-céus. Passou por momentos difíceis - inclusive, chegou-se a cogitar a sua demolição. Mas o prédio foi recuperado e voltou a ser um orgulho para a cidade..
Em 1924 deu início à construção do prédio projetado para ter 12 andares, num grande terreno na então área mais nobre da capital, entre as ruas São Bento, Líbero Badaró e avenida São João. O autor do projeto era o arquiteto húngaro William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena.

Todo o cimento da construção era importado da Suécia e da Noruega, pela própria casa importadora de Martinelli. Nas obras trabalhavam mais de 600 operários. 90 artesãos, italianos e espanhóis, cuidavam do esmerado acabamento. Os detalhes da rica fachada foram desenhados pelos irmãos Lacombe, que mais tarde projetariam a entrada do túnel da av. 9 de Julho. Diversos imprevistos prolongaram as obras: as fundações abalaram um prédio vizinho – problema resolvido com a compra do prédio por Martinelli; os cálculos estruturais complexos levaram à importação de uma máquina de calcular Mercedes da Alemanha.

Enquanto isso, Martinelli não parava de acrescentar andares ao edifício, estimulado pela própria população que lhe pedia uma altura cada vez maior – de 12 passou para catorze, depois dezoito e em 1928 chegou a vinte. Nessa época o próprio Martinelli já havia assumido o projeto arquitetônico, e, não se satisfazendo em fiscalizar diariamente as obras, também trabalhava como pedreiro – retomando assim a profisssão que exercera na juventude na Itália – e demonstrava enorme prazer em ensinar aos operários mais jovens os macetes da profissão.

Quando o prédio atingiu vinte e quatro andares, foi embargado, por não ter licença e desrespeitar as leis municipais – havia um grande debate na época sobre a conveniência ou não de se construir prédios altos na cidade. A questão foi parar nos tribunais e assumiu contornos políticos, sendo aproveitada pela oposição para fustigar Martinelli e a prefeitura municipal. A questão foi resolvida por uma comissão técnica que garantiu que o prédio era seguro e limitando a altura do prédio a 25 andares. O objetivo de Martinelli, contudo, era chegar aos 30 andares, e o fez construindo sua nova residência com cinco andares no topo do prédio – tal como Gustave Eiffel fizera no topo de sua torre.

O Martinelli impressionava não só pelas dimensões como pela rica ornamentação e luxuoso acabamento: portas de pinho de Riga, escadas de mármore de Carrara, vidros, espelhos e papéis de parede belgas, louça sanitária inglesa, elevadores suíços – tudo o que havia de melhor na época; paredes das escadas revestidas de marmorite, pintura a óleo nas salas a partir do 20º andar, 40 quilômetros de molduras de gesso em arabescos.

O prédio possui reentrâncias, comuns nos hotéis norte-americanos da época, para ventilação e iluminação, e apresenta as três divisões básicas da arquitetura clássica: embasamento, corpo e coroamento. O embasamento é revestido de granito vermelho; no coroamento, falsa mansarda de ardósia. O corpo é pintado em três tons de rosa e recoberto de massa cor-de-rosa, uma mistura de vidro moído, cristal de rocha, areias muito puras e pó-de-mica, que fazia a fachada cintilar à noite. O revestimento tem três tons de rosa. O Martinelli inspirou Oswald de Andrade a chamar pejorativamente São Paulo de “cidade bolo de noiva”.

Entre os inquilinos do prédio, partidos políticos como o PRP, jornais, clubes (ente eles o Palmeiras e a Portuguesa), sindicatos, restaurantes, confeitarias, boates, um hotel (São Bento), o cine Rosário, a escola de dança do professor Patrizi. O tino comercial do Comendador Martinelli se revelava até nas empenas cegas do prédio, que serviam de outdoor gigante para uma série de produtos, entre eles a “pasta dental Elba”, o “café Bhering” e a aguardente Fernet Branca – importada pelo próprio Martinelli.

Mesmo antes de sua conclusão o prédio já havia se tornado um símbolo e ícone de São Paulo – em 1931 o inventor do rádio, Guglielmo Marconi, visitou a cidade e foi levado até o topo do edifício. Quando o Zeppelin sobrevoou a cidade em 1933, deu uma volta em torno do Martinelli.

Contudo, para o Comendador a construção do prédio acarretou sérios problemas financeiros, e em 1934 foi forçado a vender o edifício para o governo da Itália. Em 1943, com a declaração de guerra do Brasil ao eixo, todos os bens italianos foram confiscados e o Martinelli passou a ser propriedade da União, tendo inclusive sido rebatizado com o nome de Edifício América.

Com o fim da II Guerra, a cidade entrou em uma fase de enorme progresso que se refletiu em um boom imobiliário. Em 1947 o Martinelli perdeu o título de prédio mais alto de São Paulo para o vizinho Edifício do Banco do Estado. Porém o prejuízo foi a construção da massa gigantesca do Banco do Brasil do outro lado da av. São João no início dos anos 50, fazendo sombra ao Martinelli – que se tornou assim vítima da própria verticalização da qual tinha sido pioneiro.

Nas décadas de 60 e início da de 70, o prédio entra em rápida decadência por uma série de fatores. O prédio se torna uma favela vertical, ocupado por famílias de baixa renda (o Martinelli era uma das poucas opções de moradia barata no centro) em péssimas condições de salubridade. O cenário é de um verdadeiro filme de terror. Nos corredores compridos e sombrios, onde crianças brincavam em meio à promiscuidade, espreitavam ladrões e prostitutas. Os elevadores pararam de funcionar; o lixo deixou de ser recolhido e passou a ser jogado nos poços de ventilação– as montanhas de lixo atingiam dezenas de metros de altura, e permeavam o prédio com um cheiro de morte.

O Martinelli passou a cenário de vários crimes de grande repercussão nos anos 60, como o do menino Davilson, violentado, estrangulado e jogado no poço do elevador. O assassino nunca foi encontrado. Em meio à miséria e à degradação humana, uma igreja evangélica funcionava no 17º andar, atraindo os infelizes e desesperançados moradores do edifício.

Então, em 1975 o recém-empossado prefeito Olavo Setúbal decidiu salvar o edifício. Desapropriou o prédio – foi necessária a intervenção do exército para retirar os moradores mais renitentes – e deu início à restauração. O responsável pelas obras foi o Engenheiro Walter Merlo, chefiando 640 operários. Os sistemas hidráulico e elétrico foram totalmente substituídos, novos elevadores foram instalados, a fachada foi limpa com jateamento de areia. Um moderno sistema de prevenção a incêndios foi instalado, tornando o Martinelli um dos mais seguros da cidade. Em 1979 foi reinaugurado, sendo ocupado por diversas repartições municipais, como a Emurb e a Cohab.

Fonte: http://www.prediomartinelli.com.br/historia.php

20/03/2010

Arquivo Histórico Municipal

Olá pessoas!!! Depois de mais de um mês e meio de sem colocar nada aqui, cá estou, com coisas novas :) O tempo anda curto por causa da facu e de projetos, mas vou voltar a colocar informações todas as semanas ou, se encontrar algo relevante, coloco antes mesmo!!!

Há umas duas semanas, fui até a região da estação Tiradentes, fotografar um terreno que meus professores de projeto da faculdade pediram para pesquisar. Daí, passamos pelo arquivo histórico municipal e entramos no prédio, eu e minha amiga Day. Lá fomos muito bem recepcionadas por uma guia, que gentilmente perguntou se queríamos conhecer o prédio todo, daí, lógico que entramos. Como pretendo trabalhar com restauro, estou me cercando do máximo de informações possíveis para criar um repertório.

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Nessa visita monitorada, descobrimos que esse prédio do Arquivo Histórico Municipal era a antiga Escola do Curso de Elétrica, que faz parte do conjunto politécnico, que são os atuais edifícios do Centro Paula Souza. O edifício foi o primeiro da região, construído por Ramos de Azevedo, assim como os outros, que foram feitos para atender a demanda dos estudantes posteriormente.

Tudo nele permanece original, mesmo depois do restauro realizado no ano passado. Seus gradis de ferro (como corrimãos e portadas) foram confeccionados pelo Liceu de Artes de Ofícios, sediado onde hoje está a Pinacoteca do Estado. Há um vão central, com pé direito triplo, que alcança uma abertura zenital, por onde entra ventilação e iluminação, e que era onde os alunos faziam as atividades práticas do curso.

Os vitrais que ficam nos patamares das escadas, foram confeccionados pela Casa Conrado, que era uma das mais tradicionais na época. Um deles tem a imagens e as referências do engenheiro e o outro do arquiteto, que são as profissões que usam a elétrica diretamente.

As escadas foram todas confecionadas com pedras retiradas da Serra da Cantareira, cada degrau é feito com um bloco único de pedra, esculpido para ganhar forma de degrau convidativo à subida. Eles são todos fixados na parede e não usam vigas para ficar sustentados. E o mais legal é que a manutenção deles é feita por uma porta no subsolo...

O que é mais interessante, é que esse edifício não possui vigas de sustentação. Ele foi feito com arcos ogivais no subsolo, que criam passagens abobadadas, fazendo com que o peso da edificação fique distribuido por igual entre as colunas de passagem. Esse subsolo abriga ainda a estrutura aparente dos tijolos da construção do prédio, e das estruturas da entrada e dos pilares. Ainda há o ladrilho hidráulico original no piso em alguns ambientes e os banheiros ainda tem as louças originais trazidas de Londres.

A funcionalidade é muito presente nas obras do Ramos de Azevedo e nesse edifício não foi diferente: todos os pinos de abertura das janelas e as maçanetas não simples e de encaixe, o que facilitava o manuseio pelos alunos. As aberturas eram variadas, de pivotante à basculante. As salas de aula eram pequenas e as lousas eram removíveis, criando vãos de ar.

Mas o que realmente vale a pena visitar, é o auditório. Construído com acústia perfeita, ele tem o que se chama de Centro de Convergência do Som. Ao ficar no centro da sala e falar, você escuta sua voz, como se estivesse falando no seu próprio ouvido. Isso ajudava o professor a perceber conversas paralelas ou qualquer outro som. As cadeiras ainda são originais, de madeira, do tipo universitárias, construídas também pelo Liceu.

Vale a visita, para quem gosta de curiosidades sobre a história e arquitetura da cidade de São Paulo. Nas fotos, coloquei também o terreno onde vamos desenvolver o projeto de uma Galeria de Arte e fotos da região, tudo para fazer um bom projeto.
Semana que vem volto com mais coisas legais!!!