Reportagem da Folha.com para mostrar o mau estado de conservação desses casarões e dizer que não basta tombar, é preciso incentivo para manter uma obra arquitetônica como essas em perfeitas condições.
VANESSA CORREA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Construídos na virada do século passado, muitos dos casarões em estilo eclético da avenida Brigadeiro Luís Antônio, no trecho que corresponde ao bairro da Bela Vista, centro de São Paulo, estão em franca decadência.
A maior parte desses casarões hoje é tombada pelo patrimônio histórico. Mas a medida, que por um lado impediu que fossem demolidos para dar lugar a estacionamentos e prédios ou que fossem descaracterizados, não os protegeu da degradação.
Na famosa avenida, na esquina com a rua Santa Madalena, um casarão que abrigava uma escola de inglês está desocupado há três anos.
Nesse meio tempo, foi invadido, desocupado e seu estado de conservação piorou muito. O forro de gesso da cobertura de suas varandas está se soltando, assim como placas do reboco da fachada.
Embora o imóvel esteja em região comercial e valorizada, e possa ser modificado por dentro se a fachada for mantida, ainda não apareceu empresário interessado em pagar R$ 1,7 milhão para ter seu negócio ali.
Bem em frente, mais um casarão tombado. Fechado e à venda há dois anos, está com janelas e reboco deteriorados. Parte do piso térreo já serviu de garagem para o hotelzinho ao lado, hoje também fechado. Casarão e hotel saem por R$ 2,5 milhões.
O número 1.234, com belos gradis em estilo vitoriano nas varandas, também tombado, está fechado e começa a perder a forma. Comerciantes da região dizem que o local abrigou uma clínica.
BALANÇO
A Folha percorreu a avenida e fez um balanço de como se encontram os casarões da Brigadeiro, entre a rua 13 de Maio e o viaduto Jaceguai.
Dos 18 casarões e sobradões encontrados, 9 têm proteção do patrimônio histórico. Onze abrigam comércio e serviços, mas parte foi descaracterizada. Um sobrado permanece original, com uso residencial. Cinco estão fechados e degradados, dois deles à venda.
Além disso, quatro estacionamentos funcionam onde antes havia casarões. Em alguns, gradis em ferro fundido e colunas com capitéis ainda podem ser vistos como ruínas dos antigos imóveis. Apenas um imóvel está completamente restaurado.
É o chamado Castelinho da Brigadeiro, no número 826.
Projetado em 1909, é um raro exemplo de arquitetura residencial em estilo art nouveau na cidade. Permaneceu com placa de aluga-se por cerca de seis anos. Hoje funciona como espaço para eventos.
Entorno também se degrada, diz professora da FAU-USP
Imóveis são de época de menor diferença social
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A Bela Vista, onde está a avenida Brigadeiro Luís Antônio, é representativa de uma época em que brasileiros e imigrantes de classes sociais distintas conviviam em um mesmo espaço, e a cisão entre rico e pobre era menor, diz Ana Lúcia Duarte Lanna, historiadora e professora da FAU-USP. Leia trechos da entrevista. (VC)
Folha - Qual é a relação dos casarões da Brigadeiro com a história da cidade?
Ana Lúcia Duarte Lanna - Eles mostram um período de ocupação e do crescimento da cidade, quando, pela primeira vez, tinha influências de origens muito diferentes. A cidade cresce muito, e os casarões começam a ser construídos principalmente no início do século 20.
Qual é o estilo arquitetônico desses imóveis?
São todos de uma ocupação que genericamente se chama de ecletismo. Mas eles são diferentes. Uns são mais imponentes, outros menos.
É um lugar que mostra uma cidade onde as diferenças sociais, o mais endinheirado, o menos endinheirado, o imigrante, a família tradicional, as ordens religiosas, conviviam no mesmo espaço. Não tem essa coisa tão cindida, o lugar do rico e o lugar do pobre.
Por que os imóveis com esse valor histórico não permanecem conservados?
Os estímulos são considerados insuficientes pelos proprietários e o poder público não tem condição e acha que nem teria motivo para restaurar, recuperar e dar uso. O que tombar já é uma discussão complicada. Mas depois, como dinamizar, como garantir o uso, aí é uma questão difícil em qualquer lugar. É uma reforma cara.
Mas eu acho que esse lugar da Brigadeiro é bacana porque tem tantas possibilidades, tantas coisas interessantes, e ele não vai, né? E isso dá uma sensação de degradação não só para o imóvel, mas para o entorno todo.
Fonte e fotos: Folha.com
Esse blog começou como algo específico sobre design de interiores, mas com o tempo e com a experiência, comecei a mostrar mais sobre o patrimônio arquitetônico, cultural, gastronômico e imaterial em cidades brasileiras, falando também sobre como o turismo acontece nesses locais e como visitar. Por aqui você também vai ver atividades relacionadas à cultura, como exposições e mostras.
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05/03/2011
20/07/2009
Jundiaí
A estação de trem de Jundiaí é um caso a parte, ela ainda está conservada como foi construida originalmente, apenas adaptada para os tempos atuais. O telhado ainda é de madeira, a estrutura ainda é de ferro e o chão de lajotas antigas. A parte de alvenaria é toda de tijolos aparentes.
O Museu Ferroviário da Companhia Paulista é mantido na antiga oficina da Ferrovia e abriga objetos utilizados quando ela ainda funcionava como Santos - Jundiaí. Sinos, avisos de estações, locomotivas, locobreques, vagões, carros, motores, poltronas, roupas, miniaturas, projetos, todos esses objetos estão guardados, e bem guardados nesse museu. O atendimento lá também foi excelente, o Sr. Carlos foi muito atencioso e nos deu várias explicações sobre o que havia no museu e os futuros projetos de restauro.
No Jardim Botânico muitas coisas estavam diferentes de quando vi, agora existe um viveiro de orquídeas com fonte, algumas fontes estavam em reforma, há também um Jardim Japonês e coleções de plantas, como Hemerocalis e Palmeiras. Existe um mirante de onde é possível avistar parte da cidade e parte da linha do trem.
A cidade é muito bonita e está muito bem conservada, mas ainda precisa que seus governantes prestem mais atenção no patrimônio que têm, pois não é só patrimônio do Brasil, é um patrimônio do mundo.
Essas casinhas logo abaixo foram tiradas de uma rua bem perto da estação de trem, chama Rua Prof. Anna Rita Ludke. Todas foram reformadas e são lindas, em arquitetura estilo colonial.
A última foto é de uma mesquita islâmica bem próxima da estação.
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31/05/2009
Cine Marabá reaberto!
Após uma reforma que custou R$ 8 milhões, o segurança do número 757 da Avenia Ipiranga, no Centro de São Paulo, tem que ter paciência com a curiosidade dos transeuntes ao verem a fachada imponente, as antigas bilheterias com cortinas de veludo vermelho e, pelas portas de vidro, escadarias cobertas por tapetes vermelhos. Para os saudosos da Cinelândia, como era conhecido o circuito de cinemas do Centro, o Cine Marabá, fechado desde 2007, abriu novamente suas portas ontem, dia 31/05/2009. O edifício foi reformado e restaurado pela PlayArte e os arquitetos Ruy Ohtake e Samuel Kruchin.Inaugurado em 1945, o prédio é tombado desde 1992 e, por isso, fachada, saguão e detalhes decorativos foram mantidos, como os espelhos, as paredes revestidasde mármore de Carrara, o deslumbrante lustre, e as belas colunas que tiveram 12 camadas de tinta removidas até a cor e textura originais serem encontradas. O piso do saguão foi recriado com cerca de 60 mil peças de madeira e o mármore das antigas bilheterias e escadarias também foi recuperado. As entradas do antigo mezanino também foram mantidas e, por isso, as salas 4 e 5, respectivamente com 161 e 176 lugares, podem causar estranheza aos frequentadores de cinema, já que as cadeiras centrais simplesmente não existem.
Em compensação, como afirmou o próprio Ruy Ohtake, quando as lindas portas de couro restauradas do saguão são abertas é que o visitante te o "maior susto". No lugar em que havia a única sala do Marabá, com 2720 metros quadrados e 1438 lugares, agora estão, bem ao estilo contemporâneo do arquiteto, uma bomboniere, duas salas ovais com cerca de 120 lugares cada, e a principal, com 430 lugares. Para o arquiteto a maior dificuldade foi tranformar a única sala em cinco e fazer o contemporâneo conviver com o antigo.
Além de ser a maior do multiplex, a sala I conta com platéia stadium (visibilidade de todas as poltronas) e tela para projeções em 3D. E, para quem quer ver um pouco mais do que foi mantido do edifício original, ela guarda surpresas. Apesar de dividir com duas salas menores um espaço comum moderno, com espelhos e paredes listradas, a sala guarda detalhes ddecorativos encontrados durante a restauração e reforma. "Nessa sala encontramos um ornato que estava escondido embaixo do palco, assim como detalhes da boca de cena que também não estavam visíveis. E restauro é isso mesmo, é o deixar vir a tona. O forro também é original, só mudamos a cor. Antes era rosa, mas eesa cor interfere nas projeções contemporâneas", explicou Kruchin, responsável pela restauração.
Acho que vale a visita, primeiro pelo patrimônio recuperado que dá um pontapé inicial na revitalização do centro de São Paulo, segundo porque os filmes são atuais, terceiro porque é muito especial ir a um lugar onde as pessoas antigamente só iam de vestido longo, chapéus e depois da sessão tomavam chá.
Curiosidade: O primeiro filme exibido no Cine Marabá foi o drama "Desde que Partiste", clássico com Shirley Temple e Claudete Colbert. um ano depois de sua inauguração, ele já era a décima sala com maior público da cidade. Em 1957, com 1,7 milhão de espectadores, ficou atrás apenas do Art-Palácio.
Informações do Jornal Metrô News, Edição Final de Semana, distribuída em 30/05/2009. XXXV - 32 e www.arcoweb.com.br
Foto do Site: http://cinemaraba.wordpress.com/
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