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16/07/2014

Teatro Arthur Azevdedo - São Luis - MA

Ainda na cidade de São Luis, o Teatro Arthur Azevedo merece destaque e ter um post aqui no blog exclusivo para ele. Aqui em São Paulo temos muitos teatros antigos e lindos, que eu inclusive conheço, mas esse teatro me impressionou pela parte interna! A suntuosidade e o acabamento são incríveis. Segue a história do mesmo:
Em pleno ciclo do algodão maranhense, no ano de 1815, dois comerciantes portugueses desejosos de assistirem espetáculos de arte dramática e música lírica de qualidade e em condições adequadas em São Luís, a exemplo do que assistiam em Lisboa, decidiram edificar um grande teatro do mesmo porte das casas de óperas da Europa e trazer de lá e do sul do Brasil as grandes companhias. Eram eles Eleutério Lopes da Silva Varela e Estevão Gonçalves Braga.
A planta original do que seria esta grande Casa de Espetáculos, previa uma fachada para a Rua da Paz e a principal para o Largo do Carmo. A igreja reagiu e, com o pretexto de ser anti-religiosa a construção de um teatro ao lado de uma igreja, afrontando seus valores, pediu o embargo da construção.



Com uma sentença favorável aos padres carmelitas, o Teatro começou a ser construído em 1816 com sua fachada principal voltada para a rua do sol, com todas as condições negativas que se conhece: o prédio ficou espremido entre outras construções, sendo as ruas da frente e da lateral, de alta circulação automotiva com os barulhos conseqüentes e perturbadores, além das dificuldades para estacionamento.
Este teatro não seria o primeiro e sim o quarto a ser construído na cidade de São Luís, entre 1780 e 1816. Todos de pequeno porte e sem os espaços e conforto adequados. E assim, em apenas um ano de construção, entre 1816 e 1817, dois empreendedores privados constroem um prédio de tamanha monumentalidade para a época. Isto há 198 anos e, até o presente momento, nenhum outro foi construído pelo poder público igual ou maior e a cidade não tinha nem um quinto da população atual.

Edificado em estilo arquitetônico neoclássico, constitui-se no único exemplar verdadeiro desse estilo em São Luís. No Brasil, o neoclássico foi difundido com a chegada da missão artística francesa, trazida por D.João VI em 1816. No Rio de Janeiro, a primeira edificação no estilo neoclássico só ocorreu em 1819.
Nascia assim o Teatro União, inaugurado em 1º de junho de 1817, dois anos após a inclusão do Brasil ao Reino Unido de Portugal e Algarves, fato que originou o nome do prédio. O projeto era grandioso. Na época, São Luis era a quarta maior cidade do Brasil e os 800 lugares do teatro representavam 5% da população local.
Em 1852, o Teatro União passaria a se chamar Teatro São Luiz e, em 1854, serviria de berço para Apolônia Pinto, filha de uma atriz portuguesa que entrou em trabalho de parto em pleno teatro. No camarim número 1, nascia uma das grandes atrizes do teatro brasileiro, que já aos doze anos encantava platéias com a peça "A Cigana de Paris". Este mesmo ano é marcado pelo primeiro baile de máscaras de São Luís, à época um evento de grande repercussão. Os restos mortais de Apolônia Pinto estão guardados no próprio Teatro, no piso térreo, em um nicho dá acesso à platéia. Lá, a atriz foi homenageada, ainda, com um busto em bronze e uma placa alusiva à sua brilhante trajetória cultural, localizada no próprio camarim nº 1.

O nome Teatro Arthur Azevedo, viria na década de 20 em homenagem a um importante teatrólogo maranhense. Desde então, o lugar enfrentou momentos de crise e chegou a funcionar como cinema, além de sofrer restaurações que acabaram por descaracterizar alguns de seus elementos. Na década de 60, o governo do estado pôs fim ao contrato com a empresa cinematográfica que o havia arrendado.
Hoje o teatro teve sua função original restaurada e funciona normalmente. Inclusive foi criado um anexo contemporâneo para fazer recepções e eventos. No último pavimento foi criada uma sala de ensaio e aulas de danças.
Fotos: Acervo Pessoal (link para ver todas AQUI)

09/07/2014

São Luis - MA

Uma das cidades históricas mais bonitas do país! Embora a cidade tenha cara de abandonada e o poder público não ajuda a situação a melhorar, a arquitetura histórica sobrevive com sorte ao abandono e resiste apenas porque faz parte do patrimônio da UNESCO!

Coloquei aqui um pouco da história sobre a cidade e a ilha onde a cidade está localizada, e algumas fotos. As demais fotos podem ser vistas no Flickr.

Capital do Estado, São Luís é a principal cidade do Maranhão, situada em pleno Golfão Maranhense, à entrada da Baía de São Marcos, formada pelos estuários do Rio Anil e Bacanga. Foi fundada em 08 de setembro de 1612 na Ilha de Upaon- Açu (Ilha Grande) assim denominada pelos indígenas, onde foi construído um forte chamado Saint Louis, por uma expedição francesa incumbida de estabelecer uma Colônia, além da linha equatorial cujos componentes foram Daniel de La Touche - Sr. De La Ravardière e Francois de Rasilly - Sr. De Aunelles e Rasilly.

Com a expulsão dos franceses em 1621, São Luís passou ao domínio dos portugueses, sendo então elevada à sede do chamado Estado do Maranhão. Em 1641, foi ocupada por Holandeses que até fevereiro de 1644 permaneceram por aqui.

Devido à sua localização favorável à atividade portuária, São Luís tornou-se, no período colonial, importante centro de exportação de algodão e cana- de- açúcar.

Grande centro polarizador do comércio maranhense, a Praia Grande foi nos séculos XVIII e XIX a sede das primeiras atividades econômicas de médio e grande porte do Estado, ali se instalando grandes firmas comerciais, que abasteciam São Luís e o interior do Maranhão. Era também, um dos maiores pontos de recepção de escravos para as fazendas de algodão ou para trabalharem em benefício da aristocracia rural que passou a habitar os grandes sobrados daquele espaço de opulência e riqueza.

No início da década de 60, com o surgimento da política do Governo Federal de interligar as capitais brasileiras através de rodovias, a estrutura comercial da Praia Grande declinou.


A Praia Grande faz parte do Centro Histórico da cidade de São Luís, onde as edificações tem características totalmente influenciadas pela arquitetura, portuguesa, sendo a maioria de três pavimentos, totalmente azulejados formando belos casarões, atualmente tombados pelo patrimônio histórico da União.

Bairro tipicamente de pescadores, o Desterro é um dos mais antigos da cidade. Nesse local, no início da colonização portuguesa, houve uma pequena ermida de frente para o mar dedicada a Nossa Senhora do Desterro. Foi o primeiro templo construído em São Luís, no século XVII.

Nesse bairro também está localizado o Convento das Mercês, onde funcionou o Corpo de Bombeiros e agora a Fundação da Memória Republicana.


Fotos: Acervo Pessoal (vocês podem ver todas as fotos que tirei em São Luis AQUI NO FLICKR)

Fonte: Visite São Luis e Turismo Maranhão.

07/02/2014

Existe vida após a faculdade...

Olá pessoal...
Depois de mais de um ano e meio sem escrever e dar sinal de vida aqui no blog, ressurgi das cinzas e voltei rsrs... Nesse tempo aconteceram muitas coisas importantes na minha vida que me tomaram um tempo precioso de escrever e comentar sobre a arquitetura e o design de interiores. Acho que citei aqui que tive uma filha e que a minha vida havia mudado radicalmente.
Além disso, me formei, finalmente, em Arquitetura e Urbanismo, e foi um sonho realizado. Na faculdade, para se formar, é obrigatório realizar um projeto de arquitetura e urbanismo, que você pode escolher local e tema, para desenvolver ao longo do último ano. E o meu trabalho me deu muito orgulho, pois tirei a nota máxima e ele ainda foi um dos indicados para ir para o concurso Ópera Prima (link aqui) e poderá representar a faculdade entre outros trabalhos do Brasil inteiro.
Bom, tenho muitas coisas legais para postar aqui, mas decidi que, para começar o ano com o pé direito, vou postar justamente o meu trabalho de conclusão da faculdade.

Antiga fábrica da Cervejaria Antárctica Paulista

O projeto desenvolvido é sobre o restauro da antiga fábrica da Antárctica, localizada no bairro da Moóca, e a requalificação do entorno imediato da fábrica, que propõe a implantação de um centro de cultura e lazer para a região.

É um projeto conceitual, mas que foi desenvolvido como se fosse real, considerando todas as legislações de prefeitura, normas técnicas, normas de segurança e de acessibilidade. Aborda projetualmente algumas questões importantes e que precisam ser trabalhadas na cidade de São Paulo: o replanejamento urbano, o tratamento digno às antigas edificações que fazem parte da história paulistana e o oferecimento à população de equipamentos urbanos públicos ou semi-públicos de qualidade, que possam melhorar a qualidade de vida e melhorar áreas abandonadas ou com grandes interferências, como a estrada de ferro, da cidade.
A proposta de criar um complexo de cultura e lazer no bairro da Móoca foi motivada pelo fato dessa região estar em um processo de revitalização, deixando de ser essencialmente industrial e passando a ser um bairro de uso misto. Além disso, existem exemplares arquitetônicos de grande valor histórico da região, então a proposta também integra o restauro da antiga fábrica da Cia. Antarctica Paulista com as suas edificações imponentes e que pertencem à população do bairro.
O terreno onde está localizado o projeto foi dividido em três setores principais e ofereceria à população áreas de esportes, cultura, educação, lazer, entretenimento e serviços. Além disso, a proposta excluiu todas as possibilidades de acesso de automóveis, estimulando assim o uso de transportes públicos ou de bicicletas.

O projeto do Complexo de Cultura e Lazer da Móoca é mais do que um projeto de urbanismo, restauro e revitalização, é um projeto modelo de melhoria da qualidade de vida da população, de preservação da memória da cidade de São Paulo e de transposição de barreiras físicas e culturais.



16/02/2012

120 Anos do Porto de Santos

Com status de maior da América Latina, o Porto de Santos comemorou 120 anos dia 2 de fevereiro agora. Em 2 de fevereiro de 1892, com a entrega de seus primeiros 260 metros de cais, o porto era inaugurado. O primeiro a atracar no local foi o navio a vapor Nasmith, de bandeira inglesa. O endereço, no centro da cidade de Santos, ainda era chamado de Valongo.

Hoje, após receber milhões de imigrantes e de toneladas de cargas, o porto mais importante do Brasil ganha mais um presente: um museu virtual interativo, além de um livro, chamado Paisagens Culturais da Baía de Santos, com depoimentos de trabalhadores do porto e moradores do entorno.

O livro terá distribuição gratuita para bibliotecas e escolas e poderá ser baixado, em formato digital, no próprio site do Porto de Santos. Para ser utilizada sobretudo pelos alunos das escolas santistas, uma versão infantil do livro também foi preparada.
"Foram dois anos de pesquisa, coletando material arqueológico e ouvindo depoimentos de moradores", explica a arqueóloga, antropóloga e historiadora Erika Robrahn-González, coordenadora do projeto. "O importante é que todo esse conteúdo ficará disponível para pesquisadores de qualquer parte do mundo", continua. "A comunidade científica poderá fazer comparações com histórias de outros locais, por exemplo."
O material foi organizado em galerias de imagens. O internauta pode conferir, por exemplo, imagens do material encontrado em escavações arqueológicas da região ou conferir imagens antigas do entorno do porto. 

Festa. A festa começou às 10 horas desta quinta, 02/02, com apresentação de um programa de gestão e proteção do patrimônio desenvolvido pela Companhia de Docas do Estado de São Paulo (Codesp), atual responsável pela operação do porto.

O prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB) também recebeu da Codesp um kit contendo um livro, uma cartilha e a plataforma multimídia para consulta e comunicação entre mídias sociais. Tanto a cartilha como as aulas digitais foram preparadas para professores e alunos e devem ser distribuídas em escolas públicas.
No ano passado, 97 milhões de toneladas de carga passaram pelo Porto de Santos, com seus 14 km de cais. Em 1892, ano da inauguração, foram 125 mil. O crescimento, no entanto, deixou marcas na região do Valongo, que deve sofrer nos próximos anos uma completa transformação viária e visual.

Com verba federal, a prefeitura pretende dar nova cara aos antigos armazéns, que, reformados, devem abrigar restaurantes, bares, ateliês de arte e institutos universitários - a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) assumirão dois dos oito galpões abandonados. Uma nova marina, além de hotéis, torres de escritórios e um segundo terminal de cruzeiros, também estão no plano.

Escuna. Na segunda-feira, dia 30/01, a prefeitura de Santos promoveu eventos em comemoração ao aniversário do porto. Na quarta, 01/02, foram distribuídos 1,2 mil ingressos para um passeio de escuna no canal do estuário. Três embarcações percorreram os principais pontos do terminal portuário, revezando-se a cada 45 minutos. Em cada uma delas, um guia turístico fornecia informações sobre a história do porto e curiosidades sobre a cidade.

Na sexta-feira, 03/02, houve uma apresentação musical, em estilos variados, no Teatro Municipal. Houve participação de músicos que representam ou integram instituições portuárias. A festa vai até o fim do mês. Para o dia 25 de fevereiro, o destaque será o passeio ciclístico Pedala Porto, com saída às 16 horas, da frente da prefeitura. O percurso pelas ciclovias chegará até a orla.

E, no dia 2 de março, na Casa da Frontaria Azulejada, no centro, acontecerá a exposição do projeto Um mergulho na minha cidade, com fotografias e estêncil criadas por 360 alunos de escolas municipais. A programação termina só em 29 de abril, com uma caminhada esportiva.

FICHA TÉCNICA
Porto de SantosInauguração: 1892
Carga movimentada (em 2011): 97.170.308 de toneladas
Área ocupada: 7.765.100 m²
Área ocupada pelos armazéns: 499.701 m²
Número de trabalhadores: 1.188
Posição em movimentação de cargas em contêineres: 39º no mundo
Distância da cidade de São Paulo: 70 km
SERVIÇOPara baixar o livro digital: www.portodesantos.com.br
Para acessar o museu virtual: http://documentocultural.net/santos/
Para mais informações: Companhia docas do Estado de São Paulo (Codesp): (13) 3221-1997

Informações retiradas do site: 
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,porto-de-santos-faz-120-anos-e-ganha-museu-virtual,830174,0.htm

02/02/2012

Casarão da célebre Marquesa de Santos é restaurado

Não satisfeita com os sete anos em que viveu o papel de amante de dom Pedro I no Rio de Janeiro, Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos, mudou-se para São Paulo em 1829, quando seu caso com o imperador chegou ao fim, e seguiu no altíssimo nível de relacionamentos: casou-se com Rafael Tobias de Aguiar, bom partido que era nada menos que uma espécie de governador do estado na época. Coincidência ou não, ela decidiu morar bem ao lado do trabalho do novo amor, que despachava no palácio oficial erguido onde hoje está o Pátio do Colégio. Comprou então um imóvel na Rua do Carmo, hoje chamada Roberto Simonsen. O Palacete do Carmo, ou Solar da Marquesa de Santos, fervia. Era palco de tradicionais eventos sociais e animadas festas. Também se realizavam ali reuniões beneficentes, já que Domitila tinha uma associação de apoio a prostitutas e mães solteiras, e saraus literários que contaram com a participação de poetas como Castro Alves.

Após sua morte, em 1867, o endereço acabou descaracterizado. Em 1909, o imóvel foi adquirido pela The São Paulo Gaz Company, que demoliu paredes, janelas e portas, além de alterar o desenho do telhado. O tombamento veio somente em 1971, quando não restavam mais vestígios de parte da arquitetura original.

De lá para cá, inúmeros projetos de restauro foram prometidos pelo poder público. Na prática, o edifício ficou esquecido e se deteriorou. “As calhas do telhado já se haviam oxidado, e isso ocasionara vazamentos e infiltrações que comprometiam algumas paredes feitas de taipa”, explica Regina Ponte, diretora do Museu da Cidade, que funciona em determinadas salas do imóvel desde 1993. Esse quadro decadente começou a ser revertido nos últimos três anos, com um projeto de obras financiado por um empréstimo de 3,5 milhões de reais do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O prédio reformado será aberto para visitação pública no próximo sábado (19).

A mostra foi dividida em três partes, espalhadas por treze cômodos: uma sobre a Rua do Carmo e os entornos, outra a respeito da vida da antiga proprietária e, como não poderia deixar de ser, um espaço para lembrar a tórrida história de amor entre ela e dom Pedro I, por meio de cartas enviadas pelo imperador, que as assinava como “Demonão” e chamava a amante de “Titília”.


UM MUSEU DE FOTOS

Bem ao lado do Solar da Marquesa, o paulistano poderá conferir outra novidade que está saindo do forno da Secretaria Municipal de Cultura. Na chamada Casa Nº 1, também reformada recentemente, funcionará a Casa da Imagem, espaço que sediará exposições de artistas e fotógrafos que usam São Paulo como matéria-prima para seus registros. “Serão três salas em que vamos exibir o que há de melhor no acervo iconográfico da cidade”, explica Henrique Siqueira, gestor do museu. A inauguração será feita com uma mostra sobre Guilherme Gaensly (1843-1928), um dos mais respeitados fotógrafos de seu tempo. Ele registrou com maestria um centro ainda movido a charretes e bondes. Na abertura, será feito também o lançamento de um livro sobre o autor, montado pela editora Cosac Naify.

OBS: vale a pena uma visita, a entrada nos locais é gratuita.
Reportagem original:
http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2243/casarao-da-celebre-marquesa-de-santos-restaurado

26/01/2012

Casas em processo de Tombamento vão ao chão

VANESSA CORREA DE SÃO PAULO
 
Apesar de protegido por processo de tombamento, um conjunto de quatro sobrados dos anos 1940 veio ao chão na quinta passada em Perdizes, zona oeste paulistana.

As casas faziam parte de um estudo do Conpresp (órgão do patrimônio histórico municipal), aberto em setembro. No processo, 63 imóveis do bairro seriam avaliados e poderiam ser tombados.


Os sobrados demolidos na rua Monte Alegre com a Turiassu estavam no processo "por se tratar de um tipo de ocupação que predominou no período entre 1940 e 1950, antes da verticalização da região", segundo o Conpresp.
O dono, Carlos Manoel dos Santos Eloy Rodrigues Pereira, 58, afirma que não havia sido comunicado sobre a abertura de tombamento e que tinha o alvará de demolição. "Então, eu quero que vão para o raio que os parta".
Ele diz que o conjunto foi construído pelo seu avô para obter renda com o aluguel, "como fazia todo português". Afirma que vai construir um prédio, também para locação.
O Conpresp diz que, como não havia autorizado a demolição, ela é irregular, e, "constatados os danos", o proprietário pode ser multado.
A multa pode chegar a até dez vezes o valor do imóvel. O Conpresp pode ainda pedir o embargo de obras no local.
O poder do órgão, porém, é limitado. Muitos proprietários recorrem, alegando não ter sido informados sobre o tombamento ou questionando os valores das multas.
Grande parte delas não são pagas -os multados ameaçam ir à Justiça devido à fragilidade das autuações.

Os conselheiros do Conpresp, que devem votar pela aplicação, temem responsabilidade judicial, segundo apurou a Folha.
O orçamento para 2011 vindo do fundo de multas é de R$ 800 mil. Mas o valor de autuações é bem maior: só o dono de um imóvel, no Brás, foi multado em mais de R$ 20 milhões.
O processo de aplicação foi revisado e será enviado "em breve" à Câmara, diz o órgão.
Destruição do patrimônio é ainda crime com pena de até três anos de reclusão, segundo a Lei de Crimes Ambientais.
Outro caso, bastante conhecido, foi o da mansão Mataraz-zo, na av. Paulista, tombada em 1989. Tempos depois, bombas explodiram no subsolo e suas estruturas foram comprometidas por vazamentos.
Os donos conseguiram, então, reverter na Justiça o tombamento e demoliram o imóvel.

Dúvidas sobre tombamento
1 - Imóveis tombados podem ser modificados?
Sim, mas só com autorização do órgão de patrimônio competente, como o Conpresp. Mudanças não autorizadas estão sujeitas a punição
2 - Qual é a punição para quem demole um imóvel tombado ou em processo de tombamento?
Embargo de qualquer obra no terreno e multa, que pode chegar a dez vezes o valor do imóvel. A destruição de patrimônio histórico também é crime, com pena de até três anos de reclusão


Análise

Desrespeito é duplo, porque inclui a lei e também a vontade dos moradores
NADIA SOMEKH ESPECIAL PARA A FOLHA

Nos anos 70, com o boom imobiliário advindo do BNH, que financiava as duas pontas da indústria da construção civil (a produção e a venda dos apartamentos), assistimos como corolário a destruição maciça do nosso patrimônio histórico edificado.
A criação do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico), na mesma época, e do Conpresp, em 1985, possibilitou uma reação positiva ao furor de demolição.
A criação das Z8-200, modalidade do zoneamento/tombamento, em 1975, permitiu um começo de proteção à nossa memória, mas carecemos ainda de política efetiva de preservação dos bens culturais, não só com instrumentos mais eficazes e incentivadores, prevendo penalidades adequadas, mas também com uma conscientização mais ampla da sociedade e dos empreendedores imobiliários.
Não podemos congelar a cidade, e valorizar o contemporâneo significa modernizar, dar lugar ao belo, que inclui, essencialmente, nossa memória.
É com tristeza que assistimos a destruição de um conjunto de casas da década de 1940, em processo de tombamento a pedido da própria população de Perdizes.
Isso significa um duplo desrespeito: com o conselho e com a lei, que prevê punição de crime, e com a população, que tenta defender sua história.
Ficamos mais pobres culturalmente quando perdemos nossa história. Essa frase vem se repetindo recorrentemente nas cidades e, principalmente, em São Paulo. "Da força da grana que ergue e destrói coisas belas", como canta Caetano em "Sampa".

NADIA SOMEKH é professora da FAU Mackenzie e conselheira do Conpresp

Reportagem original da Folha de São Paulo:
https://acesso.uol.com.br/login.html?dest=CONTENT&url=http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/14615-casas-em-processo-de-tombamento-vao-ao-chao.shtml&COD_PRODUTO=7

05/03/2011

Casarões da Brigadeiro enfrentam decadência

Reportagem da Folha.com para mostrar o mau estado de conservação desses casarões e dizer que não basta tombar, é preciso incentivo para manter uma obra arquitetônica como essas em perfeitas condições.

VANESSA CORREA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Construídos na virada do século passado, muitos dos casarões em estilo eclético da avenida Brigadeiro Luís Antônio, no trecho que corresponde ao bairro da Bela Vista, centro de São Paulo, estão em franca decadência.

A maior parte desses casarões hoje é tombada pelo patrimônio histórico. Mas a medida, que por um lado impediu que fossem demolidos para dar lugar a estacionamentos e prédios ou que fossem descaracterizados, não os protegeu da degradação.

Na famosa avenida, na esquina com a rua Santa Madalena, um casarão que abrigava uma escola de inglês está desocupado há três anos.

Nesse meio tempo, foi invadido, desocupado e seu estado de conservação piorou muito. O forro de gesso da cobertura de suas varandas está se soltando, assim como placas do reboco da fachada.
Embora o imóvel esteja em região comercial e valorizada, e possa ser modificado por dentro se a fachada for mantida, ainda não apareceu empresário interessado em pagar R$ 1,7 milhão para ter seu negócio ali.

Bem em frente, mais um casarão tombado. Fechado e à venda há dois anos, está com janelas e reboco deteriorados. Parte do piso térreo já serviu de garagem para o hotelzinho ao lado, hoje também fechado. Casarão e hotel saem por R$ 2,5 milhões.
O número 1.234, com belos gradis em estilo vitoriano nas varandas, também tombado, está fechado e começa a perder a forma. Comerciantes da região dizem que o local abrigou uma clínica.

BALANÇO

A Folha percorreu a avenida e fez um balanço de como se encontram os casarões da Brigadeiro, entre a rua 13 de Maio e o viaduto Jaceguai.
Dos 18 casarões e sobradões encontrados, 9 têm proteção do patrimônio histórico. Onze abrigam comércio e serviços, mas parte foi descaracterizada. Um sobrado permanece original, com uso residencial. Cinco estão fechados e degradados, dois deles à venda.
Além disso, quatro estacionamentos funcionam onde antes havia casarões. Em alguns, gradis em ferro fundido e colunas com capitéis ainda podem ser vistos como ruínas dos antigos imóveis. Apenas um imóvel está completamente restaurado.
É o chamado Castelinho da Brigadeiro, no número 826.

Projetado em 1909, é um raro exemplo de arquitetura residencial em estilo art nouveau na cidade. Permaneceu com placa de aluga-se por cerca de seis anos. Hoje funciona como espaço para eventos.

Entorno também se degrada, diz professora da FAU-USP

Imóveis são de época de menor diferença social
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A Bela Vista, onde está a avenida Brigadeiro Luís Antônio, é representativa de uma época em que brasileiros e imigrantes de classes sociais distintas conviviam em um mesmo espaço, e a cisão entre rico e pobre era menor, diz Ana Lúcia Duarte Lanna, historiadora e professora da FAU-USP. Leia trechos da entrevista. (VC)

Folha - Qual é a relação dos casarões da Brigadeiro com a história da cidade?
Ana Lúcia Duarte Lanna - Eles mostram um período de ocupação e do crescimento da cidade, quando, pela primeira vez, tinha influências de origens muito diferentes. A cidade cresce muito, e os casarões começam a ser construídos principalmente no início do século 20.

Qual é o estilo arquitetônico desses imóveis?
São todos de uma ocupação que genericamente se chama de ecletismo. Mas eles são diferentes. Uns são mais imponentes, outros menos.
É um lugar que mostra uma cidade onde as diferenças sociais, o mais endinheirado, o menos endinheirado, o imigrante, a família tradicional, as ordens religiosas, conviviam no mesmo espaço. Não tem essa coisa tão cindida, o lugar do rico e o lugar do pobre.

Por que os imóveis com esse valor histórico não permanecem conservados?
Os estímulos são considerados insuficientes pelos proprietários e o poder público não tem condição e acha que nem teria motivo para restaurar, recuperar e dar uso. O que tombar já é uma discussão complicada. Mas depois, como dinamizar, como garantir o uso, aí é uma questão difícil em qualquer lugar. É uma reforma cara.
Mas eu acho que esse lugar da Brigadeiro é bacana porque tem tantas possibilidades, tantas coisas interessantes, e ele não vai, né? E isso dá uma sensação de degradação não só para o imóvel, mas para o entorno todo.

Fonte e fotos: Folha.com

27/02/2011

Praça Dom José Gaspar

E os trabalhos da faculdade sempre nos levam a descobrir lugares pelos quais você sempre passa, mas nem sempre percebe.

Essa praça, a Dom José Gaspar é um desses lugares, pois a maioria sabe onde fica, mas não sabe que esse é seu nome, alguém alguma vez já passou por lá quando foi ao centro de São Paulo e nem percebeu que estava lá.

Para a disciplina de Planejamento Paisagístico, "ganhamos de presente" essa praça como tema de pesquisa, levantamento de dados e inserção na cidade. Eu e meu grupo estivemos no local e prestamos muita atenção nos detalhes, na vegetação, nas pessoas e no que havia ao redor, e o resultado desse levantamento e pesquisa, você logo abaixo com as fotos que tirei e com as informações que pesquisamos.

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A PRAÇA

Praça Dom José Gaspar está localizada na área central da capital de São Paulo, tendo de um lado a Avenida São Luís e de outro a Rua da Consolação. Trata-se de espaço ajardinado atrás da imponente Biblioteca Municipal de São Paulo, a "Biblioteca Municipal Mario de Andrade". Foi toda reformada e aos domigos acontece o projeto Piano na Praça, da Secretaria Municipal de Cultura da cidade de São Paulo.

OBRAS DE ARTE

"Cruzeiro", de Autor Desconhecido,"Miguel de Cervantes", de Rafael Galvez, "Goethe", de Tao Sigulda, "Frederich Chopin", de Autor Desconhecido, "Dante Alighieri", de Bruno Giorgi, "Mário de Andrade", igualmente de Bruno Giorgi, "Camões", de José Cucê.

HISTÓRIA

No século XIX, a Cúria Metropolitana de São Paulo comprou da família Souza Queiroz um palácio na região da Rua São Luís. O imóvel serviu de residência para o arcebispo da cidade. Durante a primeira gestão do prefeito Prestes Maia, ele foi desapropriado e, em 1942, demolido para que ali fosse construída uma praça. No ano seguinte, o então arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar d'Afonseca e Silva, morreu. A praça foi batizada com seu nome em 1949.

QUEM ERA DOM JOSÉ GASPAR

O Dom José Gaspar de Afonseca e Silva nasceu em Araxá, Minas Gerais, em 6 de janeiro de 1901. Muito jovem ainda foi trazido para São Paulo onde realizou a maior parte de seus estudos. Em 1912 entrou para o colégio São Luís, de Itu, concluindo aí o curso de Humanidades. Em dezembro de 1915 ingressou no Seminário Provincial de São Paulo, pondo batina em 6 de março de 1917. Começou, logo a seguir, os cursos de Teologia e Filosofia, terminando-os em 1923. Em 12 de agosto do mesmo ano recebeu a ordenação sacerdotal. Iniciou o sacerdócio como coadjutor da Paróquia da Consolação, Capital Paulista. Em 1924 seguiu para Roma, afim de cursar Teologia, Filosofia e Direito Canônico no Colégio Pio-Latino. Viajou depois a estudos para a Grecia, Síria, Palestina e Egito. De volta a São Paulo, exerceu as funções de professor e mestre de disciplina no Seminário Provincial, assumiu a reitoria dessa casa de ensino em 1933. Em 23 de abril de 1935 foi sagrado bispo titular de Barca e auxiliar de São Paulo. Com o falecimento de D. Duarte, primeiro arcebispo metropolitano de São Paulo, foi eleito para sucedê-lo em 1939. Achava-se nessa ocasião em Itanhaém, veio para Capital três meses depois, onde foi festivamente recebido. Realizou à frente daquela arquidiocese fecunda admistração de todos os serviços eclesiásticos; deu grande impulso à construção da nova catedral; empreendeu melhoramentos no Museu da Cúria; deu desenvolvimento à imprensa católica e de várias outras instituições culturais; organizou o projeto de basílica de Aparecida do Norte; foi o responsável pela multiplicação das paróquias; pelo recrutamento paroquial e a Ação Católica, promoveu a Semana de Estudos de Ação Católica para o Clero e a grande obra de organização do Quarto Congresso Eucarístico Nacional realizado em São Paulo. Faleceu em virtude de um desastre aéreo, em que um avião de carreira, da linha Rio-São Paulo caiu na ponta do Calabouço, no Rio de Janeiro, no ano de 1943.


Fontes:
http://www.dicionarioderuas.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_Dom_Jos%C3%A9_Gaspar

30/01/2011

Edifício Altino Arantes em São Paulo

Esse foi outro edifício que visitei no aniversário de São Paulo. Já havia ido lá, mas agora fui com um olhar diferente, que a minha formação em arquitetura complementou.

Após a sua fundação em 1947, (inicialmente sob o nome de Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo), o Banco do Estado de São Paulo passou por um período de grande expansão e necessitava de uma sede maior para seus negócios. O primeiro local escolhido para tal finalidade ficava na praça Ramos de Azevedo, local um pouco inadequado pois ficava distante do centro bancário da cidade, compreendido pelas ruas São Bento, Rua XV de Novembro, Direita e adjacentes.

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Decidida a mudar para a área de mais destaque econômico, a diretoria do banco fez um acordo com a Santa Casa de Misericórdia e compra mais alguns prédios ao redor, que seriam demolidos para dar início a construção do novo edifício-sede na rua João Brícola.

O projeto do novo edifício ficou por conta do engenheiro e arquiteto Plínio Botelho do Amaral, mas foi adaptado pela construtora Camargo & Mesquita pois queriam que o novo prédio fosse semelhante ao Empire State Building, em Nova Iorque. As obras tiveram início com o lançamento da pedra fundamental da matriz, em 19 de setembro de 1939. Após quase oito anos, o edifício foi inaugurado em 27 de junho de 1947 já sendo o edifício mais alto de São Paulo, com seus 161,22 metros de altura, título que lhe pertenceu durante quase vinte anos. Durante muito tempo o prédio ficou facilmente identificável devido ao letreiro luminoso que brilhava em seu topo.
Edifício do Banespa foto por Silvio Tanaka.

No ano seguinte foi considerado por uma revista francesa como a maior estrutura de concreto armado do mundo, pois os demais prédios (incluindo o norte-americano Empire State Building, o maior do mundo na época) eram construções de estrutura metálica ou mistas de metal e concreto.

Nos anos 1950, a torre foi ocupada pela antena retransmissora da TV Tupi.

Na década de 1960 teve seu nome mudado para "edifício Altino Arantes", uma homenagem ao primeiro presidente brasileiro do banco, Altino Arantes Marques. Isso porque desde sua fundação, em 1909, até 1919, quando, - na gestão Altino Arantes - o Governo Estadual tornou-se seu acionista majoritário, o banco era controlado por acionistas franceses.

Com o passar dos anos o edifício não sofreu muitas alterações externas notáveis, apenas passou por limpezas e reconstituição das fachadas, ganhando também uma nova iluminação. Já na parte interna sofreu diversas alterações que exigiram intervenção do Museu Banespa, quando algumas áreas do edifício foram tombadas, para protegê-las de modificações que possam alterar suas características originais.

Em 1988, um lustre de três metros de altura e 1,5 tonelada foi instalado no hall de entrada do edifício. Tal peça conta como 150 lâmpadas e cerca de dez mil acessórios de cristal.

No ano de 2000 o Banespa foi privatizado, sendo vendido ao Banco Santander Central Hispano. Porém, para evitar represálias, respeitando a tradição do povo paulistano, os novos donos não fizeram nenhuma alteração significativa na fachada do edifício.

A Torre Banespa é um dos destaques do edifício. Situada no ponto mais alto do prédio, acessível a partir do 34º andar, ela permite uma privilegiada vista panorâmica da cidade, com um alcance de até 40 quilômetros, sendo possível ver outros marcos importantes da cidade, como o Mercado Municipal, a Catedral da Sé, e até mesmo os edifícios Itália, Copan e Hilton. O Mirante do Vale concluído em 1960 , e que apesar de não ser muito conhecido, ainda hoje é o edifício mais alto do Brasil. Além de diversos bairros vizinhos. Isso tudo é possível também pois, apesar de não ser o prédio mais alto, ele está situado no ponto topograficamente mais alto do centro de São Paulo.

No final dos anos 1970 a torre ganhou em volta de sua base uma cinta de alumínio, aonde foi fixado o logotipo do banco. E no topo de edifício encontra-se uma bandeira do estado de São Paulo medindo 7,20 metros de largura por 5,40 de altura, sendo trocada mensalmente por conta do desgaste provocado pelos fortes ventos a aquela altura.

No prédio funciona também o Museu Banespa, que reúne a história do banco desde sua inauguração como Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo até os dias atuais, perto de completar cem anos. O museu possui 993 objetos e mobiliários, 1.003 obras, 98 fotografias assinadas, 66 tapetes orientais e nacionais entre outros itens.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Edif%C3%ADcio_Altino_Arantes

10/10/2010

Museu da História de São Paulo


Museu da História de São Paulo terá modelo interativo

"Tudo será feito para ser bastante abrangente e de fácil compreensão", diz secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Gustavo Fioratti

Orçado em R$ 52 milhões, espaço deve abrir ao público em 2011 com curadoria do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, o Museu da História de São Paulo, que o governo do Estado pretende abrir até setembro de 2011 na região do parque Dom Pedro, especificamente nas Casas das Retortas, vai seguir o modelo interativo do Museu do Futebol e do Museu da Língua Portuguesa.

As diretrizes foram passadas ao jornalista e escritor Roberto Pompeu de Toledo, responsável pela concepção curatorial do projeto. O museu ocupará a Casa das Retortas, prédio histórico onde funcionou uma das primeiras produtoras de gás da cidade. As obras já estão em execução.

O orçamento de todo o conjunto vai ficar em R$ 52 milhões. Inclui a restauração do prédio, assinada por Paulo Bastos (o mesmo que fez a obra de restauro da Catedral da Sé), a construção de outros dois edifícios projetados por Pedro Mendes da Rocha, além da pesquisa e da instalação museográfica.

O valor supera o da construção do Museu da Língua Portuguesa, que consumiu R$ 37 milhões. E também do Museu do Futebol, que ficou em R$ 32 milhões.

O investimento, segundo Andrea Matarazzo, secretário de Cultura do Estado, foi pensado para suprir uma lacuna. "Ainda não temos um lugar que conte a história de São Paulo, sob todos os seus aspectos, econômico, demográfico e político." Didatismo é um dos pontos-chave, diz o secretário. "Tudo será feito para ser bastante abrangente e de fácil compreensão. Queremos atingir o maior número de pessoas possível", diz.

Roberto Pompeu de Toledo diz que essa é a primeira vez que se dedica a uma curadoria do gênero. Seu nome foi pensado principalmente por conta da publicação de "A Capital da Solidão" (ed. Objetiva, 2003, 560 págs.).

IMIGRANTES

O livro é rico em detalhes sobre a história de São Paulo. Atravessa períodos anteriores ao da fundação da cidade até 1900, quando os imigrantes passam a chegar em grande número.
O museu, no entanto, não se restringe a assuntos relativos à capital. O ponto de partida é um momento anterior ao da chegada dos portugueses. E o trajeto cronológico tem seu ponto final em meados dos anos 80, época em que o país assistiu à abertura do processo democrático com as Diretas Já.

Toledo prefere não citar especificidades, por considerar o projeto ainda suscetível a mudanças. Mas adianta que maquetes, ambientações cenográficas, recursos digitais e animações norteiam a concepção museológica.
O Museu da Civilização do Canadá e o Museu d'História de Catalunya (Espanha) também serviram de modelo.

São exemplos de projetos apoiados em recursos interativos, que, neste caso, também suprem a falta de material histórico. "Até o século 19, é pobre o material iconográfico relativo ao Estado de São Paulo", explica Toledo.


CASAS DAS RETORTAS


Foram inauguradas em 1872, próximas às margens do rio Tamanduateí e às estradas de ferro, as casas que abrigariam o Gasômetro, da companhia inglesa "The San Paulo Gas Company", responsável pela introdução da iluminação pública da cidade. A área do terreno pertencera à Chácara da Figueira, antiga propriedade da Marquesa de Santos.

Com o aumento da demanda e consumo, foi necessário aumentar o Gasômetro, sendo edificada uma nova usina em 1889 – a atual Casa das Retortas (a primeira construção foi demolida no início da década de 1910). Em 1967 as instalações da então Companhia Paulista de Serviços de Gás foram declaradas de utilidade pública pela Prefeitura e é criada a Companhia Municipal de Gás (Comgás). O edifício sofreu então adaptações e restauros, segundo projeto de Paulo Mendes da Rocha, sendo mantidas algumas características da década de 20.


Fontes:
http://flickriver.com/photos/lucibraga/4527384161/ e http://entresseio.blogspot.com/2009/02/cultura-patrimonio-cultural-e-historico.html  e http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada e http://arquitetoederolivato.blogspot.com/2010/08/patrimionio-despedacado-4-casa-da.html

16/01/2010

Cidades Históricas de Minas Gerais

Olá de novo... :D Depois de um "longo" período de férias que aproveitei para descansar e colocar as idéias em ordem, voltei para colocar aqui várias coisas sobre arquitetura em geral, decoração, mobiliário, enfim, tudo que for possível para passar o máximo de informações possíveis.

Nas férias fiz uma das melhores viagens da minha vida, pois fui conhecer as Cidades Históricas de Minas Gerais. Para quem é apaixonado por arquitetura, história da arte e história geral como eu sou, é um prato cheio conhecer esses lugares.

Estive em várias cidades, então vou colocar os posts aos poucos aqui para que vocês possam acompanhar como foi a viagem e usufruir das fotos dos lindos lugares por onde passei. Os posts sempre estarão com o nome das cidades e com a história de cada uma, assim fica mais fácil de ler. As cidades por onde passei foram: Belo Horizonte, Sabará, Sete Lagoas, Cordisburgo, Congonhas do Campo, Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, Lagoa Dourada e São João del-Rei.

Gostaria também de dizer que fiquei muito grata pelas informações obtidas com os guias que nos acompanharam na viagem, eles são excelentes, conhecem muito bem os lugares por onde passam e sempre são atenciosos. Fiz a viagem pela CVC e recomendo, porque a organização e a logística do passeio, bem como a qualidade dos serviços que usamos, em nenhum momento deixaram a desejar, tudo foi do bom e do melhor.

Bom, vou começar com a primeira cidade que visitamos, Congonhas do Campo, e nos dias que seguem vou adicionando as outras.

07/09/2009

Henri Matisse: Aujourd'hui (hoje) e Variação (de Celeste Boursier-Mougenot)




HENRI MATISSE

Ontem estive na exposição de Henri Matisse, que foi um dos artistas mais brilhantes que viveu entre os séculos XIX e XX. Ele nasceu em 1869, em Le Cateau-Cambrésis e faleceu em 1954, em Nice, ainda na plenitude de sua criatividade com uma crise cardíaca.





Passou pelas duas grandes guerras mundiais e participou de vários movimentos modernistas (entre eles o pontilhismo e o expressionismo), mas ficou conhecimento mesmo no Fauvismo, movimento que em francês significa "feras", e era assim chamado por ser considerado um movimento purista, onde o artista utilizava a cor pura, sem contornos, apenas mostrando como a luz influenciava a cor, qual a sua percepção sobre a cor, o que deixava a percepção da paisagem em segundo plano.





A mostra está linda e vale a pena a visita, exibe cerca de 80 obras que integram importantes coleções públicas e privadas, da França e do Brasil. É a primeira vez no Brasil, e na América Latina, que acontece uma exposição individual de Henri Matisse. Ontem já tinha fila para entrar na Pinacoteca e fila para entrar na exposição, mas a espera valeu muito a pena. Uma coisa que chamou a minha atenção é que a mostra está dividida em duas partes: do lado esquerdo estão as obras de Matisse e do lado direito as obras de artistas contemporâneos que se inspiram em Matisse para compor. No final da exposição está também o processo de produção do livro Jazz, feito por Matisse (que demorou 5 anos para ser produzido)e foi um dos mais vendidos em todo o século XX.





CELESTE BOURSIER-MOUGENOT

Também está na Pinacoteca a mostra Variação de Celeste Boursier-Mougenot. Tratam-se de três piscinas, com bombas que jorram água e fazem com que as tigelas de cerâmica branca esmaltada se toquem, produzindo um som que relaxa e traz e bem estar. Eu poderia ficar horas só escutando o barulhindo das tigelas.


Serviços da Pinacoteca do Estado:
Praça da Luz, 2 – Fone: 11-3324-1000
Aberta de terça a domingo, das 10 às 18h
Ingresso (Pinacoteca + Estação Pinacoteca): R$ 6,00 ou 3,00. Grátis aos sábados
Estudantes pagam meia entrada.
Essa mostra acontece de 5 de setembro a 1º de novembro

20/07/2008

Marcel Duchamp



No dia de seu aniversário de 60 anos, 15 de julho (terça-feira), a partir das 20h, o Museu de Arte Moderna de São Paulo inaugura “Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra ‘de arte’”, a maior exposição individual do artista franco-americano já realizada na América do Sul, em parceria com a Fundação Proa, de Buenos Aires, que inaugurará sua nova sede em novembro com a exposição. A curadoria é de Elena Filipovic, co-curadora da Bienal de Berlim e especializada na obra do artista, e ficará em cartaz de 15/07 até 21/09, das 10h às 18h, com cerca de 120 peças.

Complementando a mostra, a Sala Paulo Figueiredo recebe “Duchamp-me”, com obras de artistas brasileiros inspirados no franco-americano e curadoria de Felipe Chaimovich. O patrocínio da mostra fica a cargo da Tenaris Confab e do Itaú BBA.

O perfil e a história pessoal de Marcel Duchamp (1887-1968) são acessos para compreensão da sua obra. Ele foi um jogador de xadrez obsessivo, criador do ready-made, tipógrafo, especialista em óptica, bibliotecário, pintor, curador, performer, inventor do museu portátil, dono de um senso de humor nada convencional e, antes de tudo, um homem de inteligência fora do comum, como admitiu certa vez numa longa entrevista ao crítico de arte Pierre Cabanne.

Quarenta anos após sua morte, ele ainda provoca discussões infindáveis. A complexidade de sua obra é uma unanimidade e, por certo, também o motivo de sua rejeição por parte dos visitantes desavisados.

Sem dúvida, sua obra mais importante, ou mais conhecida pelo menos é a Fonte (de 1917, assinada por um de seus alter-egos, R. Mutt), e está nessa retrospectiva, que não segue o roteiro de uma exibição cronológica ou histórica. O artista que ainda continua vivo e provocativo, com inteligência, humor e senso crítico, diz na sua entrevista dada à Pierre Cabanne é que era muito feliz e tinha muita sorte, e talvez essa deve ser a idéia para aproveitar a exposição: partir da idéia de felicidade.

Para quem gosta do período do Surrealismo, vale muito a pena ir nessa exposição e se deliciar com as "loucuras" de Marcel Duchamp.

OBS:
- foto da Fonte (1917): http://www.students.sbc.edu/evans06/presentation.htm
- foto da obra LHOOQ: http://www.joannemackellar.com/designjournal/?cat=4
- foto dos Rotorelevos: http://members.aol.com/mindwebart3/marcelpg3a.htm

Informações do site do MAM www.mam.org.br e da Revista MODERNO MAM (07/08/09/2008).