15/03/2009

O Que é Feng Shui?

A partir de hoje, vou colocar no blog mais informações sobre Feng Shui, atendendo a pedidos dos leitores. Primeiro, uma expliacação para entender o Feng Shui e na semana que vem, colocarei algumas dicas e explicações!

O Feng Shui é a antiga arte chinesa de criar ambientes harmoniosos. Originou-se há cerca de 5.000 anos, nas planícies agrícolas da China Antiga. Seu desenvolvimento vem sendo desde então, aumentado e evoluído, chegando aos dias de hoje, como uma disciplina capaz de nos oferecer um sistema completo, nos ligando intimamente à natureza e ao Cósmico. Seus diagnósticos e resoluções são capazes de resolver quase todos os problemas envolvendo uma casa e as pessoas que moram nela. São adaptados ao moderno estilo de vida, nos levando a entender e compreender uma sabedoria muito profunda que nos ensina a "viver em harmonia com a natureza". Em outras palavras, o Feng Shui é uma antiga arte chinesa que visa a harmonizar os ambientes em que as pessoas vivem e trabalham, conseguindo-se assim, uma vida mais feliz e cheia de Bênçãos Cósmicas. Suas leis e princípios foram desenvolvidas através dos séculos e transmitidas oralmente de Mestre para discípulo.

Seria correto dizer que o Feng Shui é a antiga ciência chinesa que visa a localização de diferentes tipos de energia em um local. A palavra ciência, aqui, não tem e nem pretende ter a conotação da ciência moderna. Quando dizemos ciência, significa um sistema no qual os princípios e regras foram baseados em observações e dados estatísticos ao longo dos anos. Quem pode dizer que isso é superstição?

A tradução literal do termo Feng Shui é Vento-Água. Mas significa muito mais que isso. Os chineses dizem que essa arte é como o vento que não se pode entender, e como a água, que não se pode agarrar. E também é o vento que traz a água das chuvas para nutrir tudo o que está embaixo.

Atualmente, existem duas escolas principais de Feng Shui, embora com técnicas diferentes, ambas têm fundamentos e leis comuns, sendo suas principais diferenças, no que se relaciona com a forma das construções, originando a escola das formas, e com as direções dos aposentos, casas e portas, a escola das direções, ou da bússola. Existem muitas outras escolas, sendo as mais avançadas as que utilizam o fator "tempo" como principal método de diagnóstico e tratamento.

Suas teorias são baseadas no pensamento máximo chinês, o I Ching, juntamente com as leis do yin yang e cinco elementos - vitais em toda a cultura chinesa. Portanto, para se estudar mais profundamente o Feng Shui, deve-se ter em mente, que um estudo aprimorado e profundo dos 64 hexagramas do I Ching se faz necessário, e também as leis do yin yang, os opostos complementares, e os cinco elementos e seus relacionamentos. Toda esse estudo visa o entendimento do modo chinês de ver e entender o mundo e o universo, com seus relacionamentos e eternos ciclos de mudança. Lembre-se sempre: "Mudança é a Lei da Vida".

Tudo na natureza muda e nunca é estável. Seu eterno processo de mudança, de mutação, mostra ao homem que toda a natureza, o universo inteiro, sempre muda e evolui, nunca ficando estagnado e parado no tempo. Assim, deveríamos agir desta mesma maneira em relação às nossas vidas. Negligenciar que as coisas se transformam, é fechar os olhos para eventos que sentimos durante toda a nossa vida.

É importante salientar uma coisa: o fanatismo, seja ele em qual nível que se aplique, nunca é benéfico, trazendo resultados que às vezes podem ser destrutivos e nos afastar do caminho da sabedoria. Em Feng Shui isso é uma grande regra a se seguir. As pessoas têm uma tendência natural de considerar seja o Feng Shui ou qualquer outro sistema, como uma verdade absoluta, baseando toda a sua rotina nisso, e esquecendo que dentro de nossos relacionamentos, existem outros fatores de responsabilidades. Por isso, não devemos nos afastar da vida em sociedade, e sim, passar a considerar nossa vida e a das pessoas que nos cercam, como um todo em que tudo está relacionado.

Os grandes Mestres de Feng Shui do passado praticavam, juntamente com essa arte, a Medicina Tradicional Chinesa e também o Chi Kun o Tai Chi e o Nai Kun. Tais práticas sempre estiveram juntas, pois um médico chinês entende que se uma pessoa tem algum problema, isso foi gerado por alguma razão. Assim, ele vai até a casa do paciente olhar o que pode estar errado e o que pode ter gerado a desarmonia, conseguindo, assim, duas formas de diagnóstico e tratamento. Infelizmente, hoje em dia as coisas são diferentes, e poucas pessoas podem ser chamadas de Mestres de Feng Shui.

Hoje em dia, o Feng Shui é praticado em todo o mundo. Seu maior desenvolvimento acontece em Hong Kong, Malásia, Singapura e Taiwan. Embora sua origem seja chinesa, os próprios chineses perderam o conhecimento dessa arte, principalmente pelas conseqüências da Revolução Cultural. Os valores foram invertidos, e muito da cultura tradicional chinesa foi esquecida e deixada em segundo plano. Aliás, é interessante notar a inversão de valores do ocidente com o oriente. O ocidente procura o oriente, em suas práticas milenares como a acupuntura, as massagens, as lutas marciais, alimentação e modo de se vestir. E o oriente está cada vez mais se ocidentalizando, buscando valores diferentes dos de sua cultura e, podemos até dizer, valores principalmente baseados no materialismo.

Atualmente, além das "capitais" do Feng Shui, a Europa e os Estados Unidos têm tido um grande desenvolvimento desta prática, embora nem sempre preservando a tradição verdadeira. Muitas pessoas e praticantes aderem ao Feng Shui após terem certas idéias formadas, sendo muito difícil andar por um novo caminho, sem trazer a poeira e as influências dos anteriores. Infelizmente, isso tem contribuído para a desvirtuação atual do sistema, ficando a cargo do leitor e estudioso a diferenciação dos conceitos verdadeiros e dos aspectos falsamente chamados "técnicas de Feng Shui."

O Feng Shui não oferece cura para todos os problemas da humanidade. Ele deve ser entendido como um dos vários sistemas existentes da filosofia chinesa, e não uma panacéia para todos os males. Ele não traz sucesso da noite para o dia, nem é uma mágica milagrosa. Mas se você aplicar seus conceitos cuidadosamente, ele fará sua vida mudar de rumo.

Fontes:
texto: http://www.fengshui.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=38&Itemid=77
foto: http://pessoas.hsw.uol.com.br/feng-shui4.htm

24/02/2009

Bienal de Arquitetura de Veneza

A mais recente edição da Bienal de Arquitetura de Veneza situa-se entre mostra de artes e feira de ciências. Em seus espaços expositivos, multiplicam-se esculturas e experimentos que procuram traduzir ou dar respostas a questões prementes de um futuro próximo, relacionadas sobretudo à interface do indivíduo com o meio. Nesse contexto, o design é visto como ferramenta primordial aos novos tempos preconizados pelo evento.

Trata-se, em síntese, de criar soluções relacionadas a produtos ou a serviços que tornem ecologicamente responsável e socialmente amigável o convívio entre toda a ordem de diferenças culturais e comportamentais mundo afora. E, no mesmo caminho, a proposta é repensar o meio que habitamos, desde o programa de nossas casas (sejam elas unifamiliares ou multifamiliares) e os objetos nelas contidos até sistemas domésticos capazes de diminuir o impacto ambientalmente negativo dos acúmulos coletivos de nossa existência. Lirismo, ecologia e certa dose de bom humor estão na ordem do dia desta bienal.

São atributos que permeiam as mais diversas exposições, desde a instalação principal - Out There: Architecture Beyond Building, com curadoria de Aaron Betsy - até as participações nacionais. O discurso da mostra parece ter mudado na direção de um olhar compartilhado com outras áreas de conhecimento, com os não-arquitetos, com gente das ciências e das artes ou, simplesmente, com os moradores anônimos das cidades.

Portanto, nada de expor centros culturais ao longo dos pavilhões, nada de estatísticas relacionadas a deslocamentos urbanos ou referências ao vocabulário formal e contemporâneo da arquitetura, para citar alguns dos debates levantados durante as duas edições anteriores do evento.

É hora de voltar a atenção às casas e aos indivíduos, vistos na condição de um grande laboratório de ensaios que não aceita isoladamente a idéia da arquitetura e do urbanismo como a arte e a técnica de projetar cidades e edifícios. É necessário algo a mais para que se crie a arquitetura em processo, conceito em voga nesta bienal. É preciso, portanto, o aporte do design para que surjam os ambientes, objetos e sistemas representativos de novos programas, individualidades, formas de existência e necessidades.

A começar pela participação dos designers holandeses do escritório Droog Design no espaço Singletown, inspirado por estatísticas que indicam que nos próximos dez ou 20 anos vai duplicar o número de lares com apenas um ocupante. Como moram essas pessoas, quem são elas, de que maneira se comportam? A equipe da Droog, em parceria com a agência de comunicação KesselsKramer, elencou nove tipos, nove personagens que se organizam em alguns conjuntos principais: o executivo com excesso de trabalho e sempre em trânsito, o eterno estudante, o comissário de bordo, o que trabalha em casa, o solteiro convicto e o recém-divorciado.

Os objetos reunidos em Singletown são a extensão de hábitos e preferências pessoais: o armário em que mangueiras plásticas fazem as vezes de prateleiras, a fim de possibilitar certa desordem de roupas e acessórios; a divisória que armazena objetos utilitários compartilháveis entre residências contíguas; a poltrona retrátil que se projeta pela janela a fim de alcançar o ar fresco e o banho de sol; ou o assento climatizado, que prescinde do aquecimento de todo o ambiente.

A participação brasileira, em sintonia com o tema, reúne depoimentos em que pessoas das mais variadas atividades revelam sua leitura em relação à arquitetura. Há desde casas feitas com resíduos luxuosos de desfiles de carnaval até reminiscências da infância.

A curadoria, de Roberto Loeb, parece ter conquistado a aprovação do público, que já nos primeiros dias da mostra preencheu boa parte dos livros de observações com depoimentos favoráveis.

Na outra ponta das discussões está o tema da sustentabilidade, e é assim que a bienal alcança toda a sua riqueza conceitual. Surpreendentemente, são exibidos inúmeros projetos, hipotéticos ou em processo de implantação, que abrangem da autonomia auto-sustentável de edifícios ou grupos de residências nas cidades até as mais diversas formas de reciclagem.

Estas, afinal, assumem a forma de interessantes reapropriações culturais mundo afora, na medida em que recolocam em cena objetos que são quase ícones modernos e contemporâneos. Estão lá caixas de leite revestindo paredes de uma antiga estação ferroviária nunca concluída, assentos de aeronaves transferidos para o ambiente doméstico, pneus de carros reutilizados em bancos públicos. Vale a pena conferir, nesse contexto, os projetos do coletivo virtual Superuse (www.superuse.org). A Bienal de Arquitetura de Veneza teve início em 14 de setembro e permaneceu em cartaz até 23 de novembro de 2008.

Fonte: Revista Projeto http://www.arcoweb.com.br/design/design104.asp
Foto: uma das instalações, chamada Singletown - Revista Projeto http://www.arcoweb.com.br/design/fotos/104/ft1.jpg