06/09/2009

Modernismo Perdido

Vila operária modernista do arquiteto Gregori Warchavchik está ameaçada

Caiu em duplo esquecimento um prédio chave na arquitetura moderna brasileira. Varrida da história, a vila operária construída por Gregori Warchavchik na zona portuária do Rio, nos anos 30, está descaracterizada há mais de 20 anos e ficou de fora dos projetos de reforma que prometem revitalizar a região do cais do porto carioca.

Esforços anunciados há pouco pela prefeitura alardeiam o restauro de casas do século 19 na região e de todo o complexo do morro da Conceição, vizinho de dois museus que devem ser construídos por lá até 2011. Mas, perto dali, a única obra de Warchavchik sobrevivente no Rio está ameaçada.

Projetada pelo arquiteto que fez a Casa Modernista, em São Paulo, a vila operária no Rio é uma espécie de elo perdido da história da arquitetura brasileira. Marca a transição do primeiro modernismo feito no país, sob forte influência do racionalismo da Bauhaus, às curvas que vieram depois, com Le Corbusier e Oscar Niemeyer.

Também é um exemplo de um racionalismo retórico, que marcou a tentativa de ser moderno num país ainda sem industrialização. Embora as esquadrias, a laje e o acabamento pareçam sair de uma linha de montagem, são feitos à mão, imitação da indústria ausente.

"É aqui que se dá o clique, a passagem para o moderno brasileiro", resume o curador Paulo Herkenhoff, que visitou a vila com a reportagem. Desde que começou a prestar consultoria para a futura Pinacoteca do Rio, que deve ser instalada num prédio próximo dali, Herkenhoff tem sugerido à prefeitura a inclusão da vila operária nos planos de restauro do porto.

Mesmo tombado pelo patrimônio municipal há 23 anos, o complexo, hoje ainda ocupado por moradores, está descaracterizado. Teve as telhas, os revestimentos do teto e das fachadas trocados. Também foram ocupadas as áreas deixadas livres no projeto original.

"Essa é a maior descaracterização, a ocupação dos espaços que eram coletivos", diz Otavio Leonídio, arquiteto e professor da PUC-Rio. "Era para ser um espaço vazio, que ventila, ilumina os andares de baixo."

É um conjunto de casas mínimas: quatro cômodos que se distribuem em torno de um pequeno quadrado, tendo de um lado cozinha e banheiro e, do outro, sala e quartos. "É a casa proletária", resume Leonídio.

Lúcio Costa

Embora tenha entrado para a história como obra de Warchavchik, o projeto foi assinado por Lúcio Costa, arquiteto que desenhou o plano urbano de Brasília. Não há dúvida que a vila tem os traços de Warchavchik, mas, como eram sócios à época, Costa pode ter assinado a planta como formalidade.

"Isso é mais Warchavchik do que Lúcio Costa", afirma Herkenhoff. "Não consigo imaginar o Costa virando moderno e fazendo esse tipo de projeto."

É um dado que abre outro debate. Costa esteve à frente do Iphan por mais de 30 anos, mas nunca tombou a vila de Warchavchik nem as outras duas casas que o arquiteto construiu no Rio, hoje demolidas.

"Ele rejeitava esse racionalismo duro, de caráter alemão, funcionalista", diz Leonídio. "Costa chamava isso de modernismo estilizado, ele foi muito duro com o Warchavchik."

Acabaram preservados os projetos da vertente francesa, de Le Corbuiser e Niemeyer. "A história da arquitetura escolheu um campo e ficou nele", diz Herkenhoff. "A vila está no gongo para salvar, no ponto."


Conjunto operário de Warchavchik está fora das prioridades para prefeitura

A defesa do patrimônio histórico do Rio reconhece que o conjunto operário de Gregori Warchavchik está "descaracterizado há muito tempo", nas palavras do subsecretário de patrimônio cultural, Washington Fajardo. "Eu não realizei uma vistoria lá desde que assumi, no início deste ano", diz ele.

Fajardo diz, no entanto, que o patrimônio cultural tem outras prioridades no momento, restaurando bens anteriores à vila.

A prefeitura do Rio diz que o restauro do complexo não está nos planos de revitalização, mas que considera a inclusão da vila numa segunda etapa de obras das reformas.

"Isso pode até ser considerado, mas não está hoje no nosso mapa de prioridades de locais para recuperação", diz Felipe Gois, do Instituto Pereira Passos, órgão municipal que cuida da revitalização.

Informações e fotos do site: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u601899.shtml
Reportagem de SILAS MARTÍ da Folha de S.Paulo, enviado especial ao Rio

30/08/2009

1º Conjunto Habitacional exclusivo para idosos de baixa renda


CDHU inicia construção de primeiro conjunto habitacional exclusivo para idosos de baixa renda

Avaré será o primeiro município de São Paulo a receber um empreendimento do programa Vila Dignidade. Outras seis cidades também terão habitações destinadas a esse público

A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) autorizou na segunda-feira, dia 3 de agosto, o início das obras do primeiro conjunto habitacional do programa Vila Dignidade, destinado exclusivamente a idosos de baixa renda. Localizado em Avaré, no interior de São Paulo, o empreendimento de 22 casas será construído pela Construtora Sequência, vencedora da licitação. O investimento está estimado em R$ 1,8 milhão.

O programa Vila Dignidade prevê a construção de pequenas vilas, com até 24 unidades habitacionais, que respeitem os conceitos do Desenho Universal, além de infraestrutura completa e espaços de convivência, onde os moradores terão assistência social e atividades socioculturais e de lazer.

O empreendimento de Avaré terá casas horizontais, com sala conjugada à cozinha, um dormitório, banheiro, área de serviço e uma pequena área externa nos fundos, que pode ser utilizada como jardim ou horta. Como são projetadas para idosos, vários itens de segurança e acessibilidade estão previstos nas residências, como barras de apoio, pias e louças sanitárias em altura adequada, portas e corredores mais largos, interruptores em quantidade e altura ideais, rampas e pisos antiderrapantes, entre outros. As áreas comuns do condomínio também terão recursos de acessibilidade para facilitar a locomoção e dar segurança aos moradores.

Além de Avaré, a CDHU ainda investirá R$ 10 milhões na construção de outros seis conjuntos do programa nos municípios de Cubatão, Caraguatatuba, Itapeva, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Santos. Em seguida, o Governo do pretende expandir o programa para todo o Estado.

Para se candidatar ao Vila Dignidade, o idoso deve ter 60 anos ou mais, ser independente para a realização das tarefas diárias, ter renda mensal de até dois salários mínimos, ser só ou não possuir vínculos familiares sólidos e morar há pelo menos dois anos no município.

O programa Via Dignidade é uma ação conjunta da CHDU, do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo (FUSSESP) e das secretarias da Habitação, de Assistência e Desenvolvimento Social (Seads), de Economia e Planejamento e da Cultura, em parceria com as prefeituras de São Paulo.



Reportagem de Ana Paula Rocha
Disponível em http://www.piniweb.com.br//construcao/arquitetura/cdhu-inicia-construcao-de-primeiro-conjunto-habitacional-exclusivo-para-idosos-145871-1.asp, fotos do mesmo site.